Eleitores vestem a camisa do partido na Redenção

Na tarde de domingo da eleição, uma minoria de eleitores estampou adesivos de partidos políticos e seus candidatos pelo Brique da Redenção. As bandeiras estavam discretas, como se estivessem à espera. Apesar de ser domingo de votação, o ambiente era calmo e familiar.

Para Rosana Mayer, a política sempre foi pauta dentro de casa. Acompanhada da mãe Vera Mayer e dos filhos Vinicius e Camila, ela caminhava pelo Brique carregando a bandeira do PT. “Faz 25 anos que somos do partido, eu e toda a família. Falar de política é tão natural quanto qualquer outro assunto”, disse. Ainda crianças, Vinicius e Camila acompanhavam a mãe e também vestiram a camiseta. “A Camila, que é mais grandinha, questiona o que aparece na televisão. É importante já terem esse conhecimento, eu sempre procuro explicar a eles o que acontece na política de maneira educativa”, esclareceu Rosana.

Servidor público e advogado, Cleber Praça se apresentou como militante do PT. “Sair no dia da eleição caracterizado pelo partido é uma forma de liberdade política. Para mim é uma opção, nunca foi obrigação”, defendeu. Cleber revelou, inclusive, que precisa lidar com a escolha oposta da namorada, e se diverte com a situação. “Nos últimos dias, temos brigado bastante, a família dela é toda de direita. Mesmo assim, compartilhamos nossas ideias divergentes, com bastante respeito e compreensão”, reforçou o servidor público.

Mistura de ideais

Ao contrário de Cleber e Rosana, que lutam por um único partido, Rafael Cortes circulou pela Redenção com adesivos do candidato ao Senado Olívio Dutra (PT) e da candidata à presidência Luciana Genro (PSOL). Apesar de não ser filiado a nenhum partido, Rafael se identifica com alguns ideais esquerdistas. “Eu me considero de esquerda, porque entendo que a maior parte da população precisa ser o foco da política e acredito que isso seja uma pauta da esquerda”, explicou. “Embora a Luciana e o Olívio sejam de partidos diferentes, acho que Olívio se encaixaria muito bem no PSOL”, comentou em tom de brincadeira. “As ideias dele destoam do partido que ele representa, são similares as do PSOL”.

“Eu não tenho intenção nenhuma de convencer alguém”, disse a professora Renata Severo, que estampava adesivo da Luciana Genro em sua bolsa. “Ao contrário dos outros candidatos, ela não teve condições de fazer uma campanha pomposa, então colaboro com uma candidata sem poder aquisitivo”, justificou. Acompanhada de Aline Silva, também professora, Renata revelou que já foi bastante engajada na política, mas que se decepcionou e hoje compartilha de alguns ideais. “Eu continuo engajada em uma política mais social, por exemplo, aderi ao estilo de vida de não me depilar”, comentou. “Nós também fomos muito participativas nos protestos”, completou Aline.

Amizade partidária

Sentadas à mesa de um café, Mila Milani, Cristina Correa e Loize Aurélio formavam um grupo que se destacava pelas cores das bandeiras e pela quantidade de adesivos espalhados pela roupa. Elas se conheceram militando no PCdoB, aliado ao PT. Cristina é militante do PCdoB há 25 anos, Mila aderiu ao partido faz três anos e Loize vai completar um ano de militância. “O que é mais importante é que precisa ter representação partidária, pois se não fica um discurso muito vazio e perigoso para a democracia. As pessoas costumam reclamar e não tem o hábito de se informar”, argumentou Loize. “Antes de se envolver com a política a gente precisa ter vontade para que as coisas aconteçam. Vamos à rua porque estamos numa luta para que as coisas realmente mudem”, completou Mila.

Cientista política, Cristina diz que é necessário manter os partidos políticos. “Só assim se consegue preserva a democracia, pois se não tivermos partidos políticos vira anarquia”, explicou. Mila, advogada e também cientista política, diz que a intenção delas é mostrar as posições e escolhas e ajudar pessoas que têm dúvidas e querem buscar um entendimento da política em geral. “As pessoas tem vergonha porque acham que, na politica, tudo está errado. Ninguém deve ter vergonha de mostrar uma posição, de querer mudança. Assim como qualquer profissão, na política existem maus políticos. Política é diferente de político, e nós fizemos política”, defendeu Mila.

Texto: Fernanda Ribeiro Mazzocco (8º sem.)

Foto: Luiza Meira

Este material integra a cobertura realizada pelos alunos do Editorial J, laboratório do curso de Jornalismo da Famecos-PUCRS, com supervisão dos professores Alexandre Elmi, Fábian Chelkanoff, Fabio Canatta, Flavia Quadros, Ivone Cassol, Marcelo Träsel, Marco Antonio Villalobos, Tércio Saccol e Vitor Necchi.