Eles defendem a monarquia

Apesar do regime político do Brasil ter sido alterado de monarquia para república há 124 anos, em 15 de novembro de 1889, ainda persistem, no país, alguns simpatizantes do sistema de governo implantado a partir da independência do país. Os grupos monarquistas são diversos e não há concordância na defesa de todos os pontos.

Uma voz importante deste movimento é a do dono do site Monarquia Já, Dionatan da Silveira Cunha. Para ele, após 124 anos de republica, está comprovado que este regime não deu certo no Brasil. “O país já teve dois estados de sítio, 17 atos institucionais, seis dissoluções do Congresso, 19 rebeliões, duas renúncias presidenciais, três presidentes impedidos de tomar posse, quatro presidentes depostos, sete Constituições diferentes, dois longos períodos ditatoriais e nove governos autoritários, são 124 anos de corrupção, roubos, inseguranças, incertezas”, enumerou Cunha.

Uma das principais vantagens da monarquia em relação à republica, na opinião de Cunha, é que o monarca é preparado desde seu nascimento para governar o estado. “Quando se fala em Índice de Desenvolvimento Humano, qualidade de vida, países como Noruega, Dinamarca e Suécia despontam como referências. Quando se fala em estabilidade política, o nome que aparece é o do Reino Unido da Grã-Bretanha, ou seja, países onde vigora a monarquia”. Cunha também comenta que o modelo que ele defende é a monarquia parlamentar pautada na constituição, em que o monarca representa o estado e o primeiro ministro o governo.

Quanto à força do movimento, Cunha diz que, desde que a promulgação da Constituição de 1988, permitindo a propaganda monarquista, ela só vem crescendo. “Além dos encontros, também nos comunicamos pela internet, temos grupos em redes sociais que juntam mais de dez mil pessoas”, relata. Quantas as acusações de que grupos monarquistas são de tendência ultraconservadores, Cunha faz questão de frisar que isso é uma acusação infundada, pois os monarquistas são pessoas de diversas classes sociais . Sobre a possibilidade da volta de um governo monárquico no futuro, Cunha diz acreditar que um dia, pela vontade popular, a monarquia voltará, pois “é um regime de excelentes resultados, moderno, eficaz e eficiente”.

Outra integrante de grupos monarquistas é a médica e monarquista Cristina Froes, de Porto Alegre. Com tendências para a monarquia desde a infância, ela diz que começou a entrar em contato com o movimento nos últimos anos, através do Orkut, e se surpreendeu com as pessoas que compartilhavam de sua opinião. “Eu defendo a monarquia porque é a ordem natural das coisas, entendo que a monarquia é como a criação de deus, onde ele é rei”. Ela acrescenta que isso pode ser visto até mesmo na natureza, onde até animais têm sua rainha, caso da abelha. “A monarquia é, inclusive, uma representação da família, pois nela o rei funciona como um pai e os súditos como seus filhos”. Cristina acredita que um dos mecanismos da monarquia que mais poderia beneficiar a política é o poder moderador (em que o imperador decide quando há pontos de vista divergentes entre os poderes). “O Poder moderador é importante, pois tem a função de evitar, que os outros poderes se sobrepõem, pois na republica, embora existam três poderes só o executivo realmente manda.

Texto: João Pedro Arroque Lopes (5º semestre)