Em defesa dos direitos das mulheres, Marcha das Vadias tem nova edição no domingo

  • Por: Mariana Pontes (4º sem) | Foto: Midia Ninja (Flickr/Creative Commons) | 27/11/2015 | 0

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Desencadeada em função do Dia Internacional do Combate à Violência Contra a Mulher (25/11), a campanha #MeuAmigoSecreto repercute nas redes sociais, com mulheres denunciando práticas machistas corriqueiras até casos graves de assédio. A campanha surgiu espontaneamente no Twitter e não demorou a virar trending topic na rede. Sua inspiração veio da #MeuPrimeiroAssédio que, em outubro, encorajou mulheres a compartilharem casos de abuso que sofreram, a partir da iniciativa do site feminista Think Olga (também criador da campanha #ChegaDeFiuFiu).

A estudante de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Laura Chiesa participou ativamente do movimento on-line e ressalta a importância dessas ações para o combate ao machismo. “São campanhas pesadas, o que faz com que muita gente que não está acostumada a discutir sobre isso preste atenção. Meu feed do Facebook estava cheio das publicações. E são relatos fortes, que só quem passou sabe”, comentou.

Em resposta a #MeuAmigoSecreto, homens e até algumas mulheres criaram a #MinhaAmigaSecreta, utilizada para denegrir a imagem das feministas. Laura observa que essas mulheres também são vítimas da construção cultural do machismo. “A gente não pode criticar elas por não terem desconstruído suas formas de pensar, porque todo mundo precisa dessa desconstrução ainda, inclusive as mulheres. Elas estão sendo oprimidas ao mesmo tempo em que estão reproduzindo essa opressão”, opina.

Enquanto esses movimentos tomam conta das redes sociais, grupos feministas de Porto Alegre se preparam para a quinta edição da Marcha das Vadias, que ocorre no domingo (29/11) no Parque da Redenção. Esse ano, o foco da manifestação é o fim da violência sexual e reprodutiva contra a mulher. “Por conta da direita reacionária religiosa, nós estamos tendo que enfrentar a PL 5069, do Eduardo Cunha, que é um retrocesso aos direitos já conquistados pelas mulheres, principalmente os reprodutivos. Assim como a lei da guarda compartilhada obrigatória, já sancionada, que põe em risco mulheres e crianças, porque dá abertura para um marido/pai agressor se reaproximar”, afirma uma das organizadoras da Marcha Maria Fernanda Salaberry.

A última edição do evento, em abril de 2014, reuniu centenas de pessoas que fizeram uma manifestação da Redenção até a Delegacia da Mulher, para questionar o descaso no atendimento de vítimas de violência. Segundo Maria Fernanda, “o Estado não prioriza o atendimento a essas mulheres, sede pouca verba e, por conta disso, há um déficit muito grande de funcionários na Delegacia da Mulher de Porto Alegre. Além de não possuir uma rede de atendimento eficiente após a queixa; muitos processos não vão adiante; muitos agressores são absolvidos”.

Vale lembrar que, apesar da Marcha das Vadias ter um tema central todos os anos (a partir de 2013), as demais bandeiras feministas são aceitas. O importante é lutar a favor dos direitos das mulheres e contra o machismo ainda presente na sociedade.