Erro na boca de urna aumenta desconfiança do eleitor em relação a pesquisas

Os erros na previsão do resultado das eleições de 5 de outubro pelas pesquisas de boca de urna no Rio Grande do Sul, levantaram suspeitas sobre a eficiência dos métodos usados pelos institutos para avaliar a opinião dos eleitores. Para o professor da PUCRS e pesquisador do mercado Ilton Teitelbaum, houve erros nas pesquisas, mas os métodos são seguros.

O professor explica que a maioria das pesquisas eleitorais é feita de forma quantitativa, para ver o que está para acontecer. “As pesquisas não foram falhas, pois fotografaram o momento do crescimento de Sartori (candidato do PMDB ao governo do Estado) e a queda de Marina” (candidata do PSB à presidência da República).

Ilton acrescenta que o Ibope errou e não admitiu isso, mas ressalta que deve ter acontecido devido ao fato da consulta ter se concentrado em grandes centros. “A pesquisa de boca de urna era para ser divulgada às 17 horas. Então, deve ter sido feita até 11 horas, predominando, neste horário, eleitores mais engajados nas ruas, o que acaba refletindo no resultado”, explica. No Rio Grande do Sul, a pesquisa de boca de urna indicava que Olívio Dutra (PT) seria o senador eleito, mas a contagem dos votos revelou a preferência dos eleitores por Lasier Martins (PDT).

Questionado sobre a descrença nos institutos de pesquisa, Flavio Silveira, presidente do Instituto Meta, argumentou que as pesquisas erram somente quando há mudanças comportamentais de última hora, como quando parte do eleitorado de Ana Amélia Lemos foi para o José Ivo Sartori. “A falta de crença nos institutos se deve ao desconhecimento das teorias probabilísticas e a percepção de que os institutos existem para manipular”, lamenta Silveira. Ele acrescenta que isso já ocorreu noutros pleitos, quando mudanças bruscas aconteceram e a pesquisas não previram o resultado. Um caso foi a virada de Luiza Erundina sobre Paulo Maluf em 1989, na corrida pela prefeitura de São Paulo.

O presidente do Instituto Meta explica ainda que estão sendo usados coletores eletrônicos com tablets, para poupar tempo e dar segurança na aplicação de questionários. Outra característica modernizante é o uso do sistema de georreferenciamento GPS no controle da aplicação de questionários: “Assim se evita fraudes e se sabe onde os pesquisadores estão”, complementa Silveira.

Texto: João Pedro Arroque Lopes (6º semestre)