Espanha pós atentados convive com o medo

Turista brasileira conta como foi o tumulto em Barcelona

  • Por: Luisa Soares (4º semestre) | 23/08/2017 | 0

De férias com um grupo de amigas, a médica gaúcha Patricia de Campos Cypriano vivenciou o inesperado em Barcelona, na Espanha na tarde de quinta-feira (17). Em um museu, quase ao lado de La Rambla, local onde aconteceu o ataque terrorista na deste dia, Patricia foi orientada por seguranças a permanecer no lugar, pois havia um homem armado do lado de fora e a polícia investigava o caso.

“Quando saímos do museu, a polícia nos informou que era um ataque terrorista e nos mandou seguir na direção oposta a La Rambla. Não podíamos chegar perto”, conta Patricia. O medo e o pavor tomaram conta da cidade e deixaram 13 mortos e mais de 100 feridos ao longo dos 500 metros da via em que o motorista da van dirigia.

De acordo com Patricia, as estações de metrô foram fechadas e os carros e os ônibus foram proibidos de transitar próximos ao local. Além disso, o calçadão de La Rambla, que fica lotado de estrangeiros no auge das férias de verão da Espanha, foi esvaziado. “Foi horrível. Havia pessoas correndo e a polícia não deixava passar. Tudo fechado e qualquer movimento deixava a gente assustado”, diz.

Desorientado, o grupo de Patricia conseguiu buscar refúgio em um restaurante próximo ao local, onde fez contato com família e comunicou o ocorrido por meio do celular. Apesar da rede ter ficado congestionada, a médica conseguiu Wi-fi e garrafas de água para se acalmar.

O ataque, que foi reivindicado pelo Estado Islâmico (EI), atingiu pessoas de pelo menos 30 países. De acordo com o Itamaraty, não houve comunicação de algum  brasileiros entre as vítimas, mas muitos estavam na região e testemunharam o ataque, como a médica gaúcha. Quatro suspeitos de terem envolvimento no atentado foram presos, entre eles Dris Oukabir, Mohamed Houli Chemlal, Salah O Karib e Mohamed Aallaa. Oito jihadistas, suspeitos dos ataques ocorridos na Espanha (além do registrado em Barcelona, outros dois ocorreram em cidades próximas) foram mortos pela polícia desde quinta-feira, incluindo o marroquino que dirigia a van, Younes Abouyaaqoub.

De acordo com o Jornal da Globo, edição de quinta (17), esta foi a oitava vez em um ano que a Europa foi atacada por jihadistas e a terceira vez, também no mesmo período, em que houve atropelamento coletivo. Por enquanto, a cidade de Barcelona e grande parte da Espanha continuam em alerta.