Especialistas em RH discutem mentiras em currículo

Casos repercutidos na imprensa lançam dúvidas sobre veracidade dos dados apresentados nos currículos de gestores público

  • Por: Liliane Moura (1° Semestre) e Felipe Conte (1° Semestre) | Foto: Taimá Walther (6º sem.) | 06/06/2019 | 0

Recentemente, integrantes de governos foram descobertos utilizando informações falsas no currículo. O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, por exemplo, alegava ter feito doutorado em Harvard, o que se comprovou não ser verdade. O J conversou com profissionais de RH para entender como as empresas lidam com este tipo de situação

Lisia Rodrigues, consultora da empresa TK Consultoria de Recursos Humanos, coloca que é frequente interessados distorcerem informações sobre suas experiências profissionais, como o tempo e o local de serviço. Mas a profissional destaca que não existe uma área profissional que reúna mais distorções.

Roberta Soares Fonseca, psicóloga sócia-proprietária da empresa Muv Recursos Humanos, relata que a verificação dos dados dos candidatos é realizada de diversas maneiras. As mais comuns são a apresentação da carteira de trabalho e os testes de conhecimentos gerais que a empresa aplica aos candidatos. Em alguns casos, o candidato é destinado a um teste específico de sua área de atuação. A psicóloga afirma, também, que as mentiras mais comuns são referentes aos níveis de conhecimento de Excel e de inglês, quando o candidato só apresenta o básico.

O currículo Lattes, estrutura mantida pelo governo federal, reúne pesquisadores do Brasil inteiro, e é um ambiente onde podem existir inconsistências entre o afirmado pelos candidatos e sua experiência real.

Carla Severo, assistente de recrutamento e seleção da empresa Ponto Seguro, no entanto, ressalta que, mais importante do que ter um bom perfil com uma série de experiências, é demonstrar atributos como vontade de aprender e disposição, pois o portfólio, por si só, não garante a vaga.

Fonseca destaca ainda eventos voltados a auxiliar profissionais com dificuldade. No sábado (08), acontece a terceira edição da Capacitação Solidária na Fundação Universidade Empresa  de Tecnologia e Ciências

(Fundatec), localizada na rua Cristiano Fischer, 2012, Porto Alegre. O objetivo é qualificar gratuitamente, com palestras e atividades intercaladas, os interessados a ingressar no mercado de trabalho. O evento começas às 08h30 com e termina às 17h30min.

Relembre alguns casos recentes de fabricações no currículo:

Damares Alves

Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, declarava-se mestre em educação. Ao ser questionada  pelo jornal Folha de S. Paulo sobre o porquê de seu currículo não estava na plataforma Lattes e qual fora a instituição que fizera o seu mestrado, Damares alegou que o seu ensino é bíblico.

Ricardo Salles

O Ministro do Meio Ambiente nunca fez mestrado em direito público pela Universidade Yale, fato revelado pelo site Intercept Brasil. O ministro atribuiu o equívoco a sua assessoria de imprensa.

Ricardo Velez Rodrigues

Foram constatados 22 equívocos em seu currículo Lattes, de acordo com levantamento realizado pelo site Nexo. Ricardo foi ministro da educação até 8 de abril deste ano. Na época, o político não quis se pronunciar sobre o assunto.

Abraham Weintraub

Ministro da Educação, tomou posse após a saída de Ricardo Velez Rodrigues. De acordo com o site Exame, ele praticou autoplágio, publicando artigos idênticos em períodos diferentes, a informação foi primeiramente publicada jornal Folha de São Paulo. Questionado sobre as irregularidades das informações prestadas na plataforma Lattes o ministro não quis falar sobre o assunto à imprensa.

Wilson Witzel

O governador do Rio de Janeiro publicou no Lattes que fez um intercâmbio em Harvard no seu doutorado de Ciências Políticas. Porém, segundo o site Exame, Witzel nunca frequentou a universidade, a informação foi primeiramente divulgada pelo jornal o Globo. Ele informou que pretendia fazer o doutorado, mas foi interrompido pelas campanhas eleitorais de 2018.

Celso Amorim

O ministro de Relações Exteriores do governo Lula declarava-se doutor em Ciências Políticas pela “London School of Economics”. A instituição, no entanto, informou que ele nunca fez doutorado na universidade. Celso chegou a cursar algumas disciplinas, mas não chegou a defender a tese.

Dilma Rousseff

A ex-presidente, na época ministra da Casa Civil, nomeava-se doutora em economia, no entanto, não  chegou a defender a tese do mestrado. A informação foi revelada, inicialmente, pela revista Piauí, em 2009. Dilma alegou à imprensa que não conseguiu fazer o mestrado e o doutorado, pois começou a atuar na Secretaria Municipal da Fazenda.

Joana D’Arc Félix de Sousa

Embora não seja ministra outro caso recentemente divulgado pela mídia foi o da professora técnica Joana D´Arc de 55 anos que alegava em sua plataforma Lattes que tinha formação em na Universidade Harvard. No entanto, a informação é falsa.A profissional de fato fez faculdade, porém foi na  Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).