RS é o terceiro Estado que mais aceita pagamentos em Bitcoin

Levantamento do Editorial J, com base no site Coinmap, mostra RS atrás apenas de São Paulo e Sergipe em número de serviços com a moeda virtual.

  • Por: Gabriel Gonçalves (6º semestre) | 09/11/2015 | 0

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Uma sessão de acupuntura, uma encomenda de doces para festas, peças para o computador, a contratação de advogado e até mesmo uma neurocirurgia. Estes são alguns dos serviços que aceitam pagamento em forma de Bitcoin no Rio Grande do Sul. Com 18 estabelecimentos registrados no Coinmap (principal site de localização de serviços que aceitam a moeda no mundo), o Estado aparece atrás apenas de São Paulo, com 41 estabelecimentos, e de Sergipe, o primeiro colocado no ranking, com 55 serviços que aceitam pagamento através da moeda virtual.

Criada há sete anos, a Bitcoin ainda gera desconfiança nos investidores mais conservadores, devido a sua volatilidade. A quantidade ainda limitada e pouco distribuída de unidades, em relação às moedas oficiais, faz dela mais vulnerável à hipervalorizarão e à hiperdesvalorização, diante de transações com um volume maior moedas, tornando-a mais instável.

A desconfiança inicial, porém, não atinge os empreendedores que aceitam a moeda virtual e enxergam na Bitcon um sistema de pagamento do futuro. De janeiro a setembro de 2015, foram negociados R$ 63 milhões em Bitcoins no Brasil, através de Exchanges, segundo o site Bitvalor. Dona da doceria Quer Beijinho?, a empresária Ingrid Basler implementou o pagamento com a moeda assim que abriu o seu negócio, em agosto de 2014. “O Bitcon é igual a qualquer outra moeda, em relação à desvalorização, valorização, fraude, etc. Porém, ela nos permite fazer muito mais coisas. E não tem um governo por trás, liberando um monte de moedas, fazendo a inflação subir”, afirma. A empreendedora diz que já recebeu pagamento em Bitcoin, de um cliente de fora do Estado. “Tive um pagamento. Mas ainda é difícil, muito raro. Quando a menina me ligou, perguntando se poderia pagar com Bitcoin, fiquei surpresa”.

Sócio do escritório de advocacia De Franceschi, Monte e Souza, o advogado Vinicius de Franceschi adotou a moeda assim que abriu o novo negócio, em fevereiro deste ano. O jurista  acredita que a volatilidade da Bitcoin deve se estabilizar, assim que for utilizada em trocas comerciais. “Ela vai se tornar mais confiável quanto mais pessoas começarem a usar, pois isso deve estabilizar o preço de mercado. No momento em que as pessoas começarem a transacionar mais a moeda, a tendência é que ela tenha a volatilidade que o dólar tem, que sobe 1% no dia e as pessoas acham muito”. Para Franceschi, o sistema ainda pode ser aprimorado, visto que poucas pessoas ainda possuem acesso à internet de qualidade e contam com pouca noção de tecnologia, o que pode atrasar a popularização da moeda.

Vice-presidente do Instituto Bitcoin Brasil, Daniel Niero, afirma que o receito com a volatilidade é apenas um estigma, fruto do pouco tempo de vida da moeda. “A Bitcoin tem apenas sete anos de idade, sendo que começou a chamar atenção do mercado em 2011. O preço volátil é devido ao MarketCap comparado ao resto das moedas no mundo”, alega. Dono da Webtrônico, loja virtual de eletrônicos que aceita a moeda como pagamento, o empreendedor gaúcho Juliano Dal Pont acredita que a oscilação cambial é comum a todos os sistemas monetários, incluindo os regulamentados. “No mercado tradicional também ocorrem várias incertezas e posso citar o caso da Petrobras que tinha uma ação preferencial negociada na Bovespa por volta de R$50 em maio de 2008 e atualmente custa menos de R$10,00″, disse.

Em 2013, a Bitcoin passou pela sua última grande  oscilação cambial, após a agência asiática de câmbio Mt. Gox, que naquele ano detinha 70% das moedas no mercado, declarar falência e sumir com os investimentos de seus clientes. Mesmo assim, os entusiastas da moeda  acreditam que a não regulamentação é uma de suas vantagens. “Justamente por ser descentralizada é extremamente confiável, além de ter alta liquidez”, afirma o Juliano Dal Pont. O vice-presidente do Instituto Bitcoin Brasil reafirma o ponto de vista do empreendedor: “Viemos de uma cultura onde acreditamos que “tudo deve ser controlado, simplesmente por que desde sempre nos incutiram garganta abaixo de que o Estado é soberano e que sem ele, estaríamos fadados ao caos. Precisamos refletir mais sobre isso”, recomenda Niero.

Para obter a moeda virtual, os interessados devem procurar casas de câmbio especializadas, abrindo uma cold storage, espécie de conta bancária virtual onde os investidores podem manter suas moedas, mesmo estando offline. Atualmente, o Bitcoin está cotado em R$ 1.469.

A distribuição de Bitcoin no mundo
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Fonte: Coinmap