Estudantes e professores pedem mais recursos para escolas públicas estaduais

Após ato na Esquina Democrática, no centro de Porto Alegre, grupo fez caminhada até a Secretaria Estadual da Educação

  • Por: Luiz Eduardo Cardoso (1º sem.) | Foto: Annie Castro (4º sem.) | 07/06/2016 | 0

"Ato das Escolas de Luta pela Educação"
Estudantes secundaristas que ocupam escolas estaduais e professores grevistas se uniram, na segunda-feira (6), em manifestação que começou às 15h30min, na Esquina Democrática, no Centro Histórico de Porto Alegre. O protesto foi motivado pelas mesmas razões das ocupações das escolas, movimento iniciado em 11 de maio no estado. Os alunos  reivindicam melhoria nas estruturas escolares, maior verba para a merenda, apoio ao programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA), passe livre aos estudantes e são contrários aos projetos de lei (PL) 190/2015 e 44/2016, que, na visão deles, estabelece a privatização do ensino público. Também apoiam a greve dos professores e funcionários.

Durante o ato, manifestantes gritavam frases como "o povo na rua, Sartori a culpa e tua".
Durante o ato, manifestantes gritavam frases como “o povo na rua, Sartori a culpa é tua”.

De acordo com a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), os manifestantes eram cerca de 200 que seguiram para o Palácio Piratini e, depois, pararam na Secretaria de Educação (Seduc). Alguns estudantes relataram o que os levou às ruas.  Isadora Fagundes, do Colégio Florinda Tubino Sampaio, explicou que “o ato é também para fazer barulho nas ruas, mostrar que nossa luta é digna e, não, só dentro das escolas”. Ela comentou uma reunião que tiveram com o então secretário de Educação, Vieira da Cunha. “Depois desse ato, iremos para a Seduc e vamos entregar as pautas de cada escola para eles. Nós já tivemos uma reunião com Vieira da Cunha, que não nos satisfez. Agora, nós vamos, lá, e esperamos respostas satisfatórias do governo”.

O protesto dos estudantes teve o apoio do Comando Estadual de Greve do Centro dos Professores (Cpers) que criticava o “descaso cometido pelo governo”. Quando perguntada sobre a união com os alunos em prol da educação, a professora Adriana Costa, da escola ocupada Professor Oscar Pereira, demonstrou satisfação. “Sinto orgulho de ver todos os alunos aqui lutando e crescendo politicamente.” Adriana completou sua fala criticando o atual governo e suas atitudes. “O momento é de indignação. Quem convive nas escolas públicas sabe que chegamos a um nível de precarização que não temos mais o que fazer. Todo o diálogo já foi esgotado junto com as alternativas. Agora, nós, professores da categoria profissional, corremos o risco de perder conquistas históricas, como os estudantes também perderão se for aprovada a PL 44, que autoriza organizações sociais (com fins não-lucrativos) a investir nas escolas”. Na opinião da professora, isso acabará isentando a responsabilidade, do governo. “O estado que tem a obrigação de suprir as necessidades que a escola exige”, ressaltou.

Os alunos prometem manter as escolas ocupadas e seguir com os manifestos nas ruas se nenhuma medida satisfatória for tomada.

No centro administrativo os estudantes foram recebidos com portão fechado e segurança reforçada. Impedidos de acessar o local, alguns manifestantes tentaram escalar as grades, o que gerou um confronto momentâneo com a segurança.
No centro administrativo os estudantes foram recebidos com portão fechado e segurança reforçada. Impedidos de acessar o local, alguns manifestantes tentaram escalar as grades, o que gerou um confronto momentâneo com a segurança.

Confira também a nossa galeria de fotos no Flickr: https://www.flickr.com/photos/editorialj/albums/72157666849311203