Estudantes se organizam via Facebook para protestar contra tarifa de ônibus

O aumento da passagem de ônibus de R$2,85 para R$3,05 já provoca o terceiro protesto em Porto Alegre. Mais de 5.500 convidados confirmam presença em frente à prefeitura de Porto Alegre nesta segunda-feira (1º de abril) para participar do ato organizado via rede social Facebook.

A idéia inicial é de um protesto pacífico. No entanto, o que acontece na prática é bem o contrário. Muitos jovens já têm a intenção de promover atos de vandalismo, como o aluno de antropologia social Yuri Rapkiewicz, que afirmou na página do evento no Facebook: “concordo que seja a última alternativa, mas só por via das dúvidas estarei vendendo tijolos a partir das 17h30min.”

Veja uma galeria de fotos da manifestação:

No evento anterior, no dia 27 de março, jovens de todas as idades compareceram à frente da Prefeitura. Muitos estavam com rostos pintados e carregavam cartazes, bandeiras e camisetas de diversos partidos políticos. Eles exigiam a diminuição do preço da passagem, que, até aquele dia, era a mais cara do Brasil. O movimento, que deveria ser pacífico, era organizado por vários grupos, sem comando único. Muitos manifestantes foram para a luta literalmente, forçando portas e janelas da prefeitura, investindo contra veículos da polícia e usando camisetas enroladas na cabeça, para proteger suas identidades.

Assista abaixo a uma reportagem sobre o protesto do dia 27 de março:

Mesmo assim, o protesto foi muito bem recebido pela população, na avaliação do sociólogo e professor da PUCRS Adão Clóvis. “O movimento está conseguindo ganhar a solidariedade das pessoas que necessitam do transporte e que estão um pouco atrasadas. Mas, me parece que está havendo compreensão e solidariedade. Isso é algo novo no movimento estudantil”, afirma.

Por volta das 19 horas, ocorreu na frente da prefeitura um verdadeiro combate entre a tropa de choque da Brigada Militar e os manifestantes. O confronto durou pouco. Vinte minutos depois, o bloco se dirigiu para o viaduto da Avenida Borges de Medeiros, começando uma caminhada até ao Palácio da Polícia, na avenida Ipiranga. A Brigada Militar escoltou os manifestantes durante todo o percurso. Segundo o chefe da operação, a finalidade do policiamento era evitar que os estudantes se excedessem e impedir outros atos de vandalismo.

O protesto contra o aumento da passagem de quarta acabou por volta das 22 horas, após a soltura da estudante Luany Barros. A jovem havia sido presa pela polícia ainda no começo da noite na frente da prefeitura, e a promessa do grupo era só terminar a manifestação depois que a estudante, integrante do DCE da UFRGS, fosse libertada. O protesto acabou logo após ela ter sido solta com a promessa dos estudantes: “Segunda-feira vai ser maior.”

Texto: Marcelo Frey
Vídeo: Nathalia Rech
Fotos: Júlia Crasoves