Evento da revista Piauí promove debate sobre jornalismo

O Festival de Jornalismo promovido pela Revista Piauí aconteceu entre os dias 15 e 16 de novembro no Colégio Dante Alighieri, em São Paulo. O evento comecou às 10h da manhã e trouxe experiências inovadoras do jornalismo, além de promover o debate sobre os rumos do jornalismo contemporâneo. Ao todo, oito palestrantes foram convidados para expor os projetos de seus respectivos jornais, revistas ou sites de apuração jornalística e compartilhar ideias.

Laura Zommer, diretora executiva do site Argentino Chequeado.com – criado em 2009 e pioneiro na América latina – começou a palestra com um documentário que apresentou o trabalho de checagem das declarações do discurso da presidente Cristina Kirchner. A apuração jornalística do Chequeado.com, que engloba a análise da veracidade e a checagem das declarações públicas de empresários, políticos ou qualquer informação que seja de interesse público. Segundo Zommer, a ideia é promover o debate na sociedade, reduzindo as mentiras. O método consiste no cruzamento de dados e consulta a fontes oficiais, originais e alternativas. O Chequeado é inspirado em sites de checagem americanos como Fact Check e Politifact. Atualmente, existem mais de 80 sites semelhantes ao redor do mundo.

Andrei Scheinkman, editor assistente do site Five Thirty Eight, ou 538, relatou a história do blog que foi reconhecido por seu trabalho de jornalismo guiado por dados após fazer uma previsão das eleições de 2008 e ter acertado o resultado das urnas em 49 dos 50 estados. Seu site ganhou notabilidade por utilizar técnicas estatísticas, númericas e de probabilidade em assuntos como política, economia, futebol e, mais recentemente, ciência. Conforme Scheinkman, o site necessita de um leitor que tenha conhecimento para interpretar gráficos, tabelas e desenhos. “Um bom gráfico consegue passar tão bem o dado quanto uma matéria tradicional”, completa ele. Assim como todas as grandes apurações, a análise de dados consome muito tempo e por isso, na opinião dele, é um desafio ser relevante todos os dias para os leitores.

Max Fisher, diretor do site americano Vox, aposta no jornalismo explicativo para tornar os temas em pauta mais compreensíveis e didáticos para o leitor. Desse modo, o site faz uso de gráficos, vídeos, visualizações, artigos e explora a riqueza de detalhes em suas reportagens. Fisher faz uma crítica às matérias tradicionais, pois estas não tratam do contexto histórico dos temas e assim excluem o leitor que não possui tal conhecimento.

Pamela McCarthy, editora da revista New Yorker, focou a conversa na transferência do conteúdo da revista do meio impresso para o digital e as dificuldades dessa transição. O site oferece todo o conteúdo da revista impressa, mas o leitor só pode acessá-lo com assinatura. “O mantra era que a informação tinha de ser gratuita, mas nós acreditávamos que não este tipo de informação. Dados crus devem ser gratuitos, mas a escrita tem valor que deve ser levado em conta”, afirma ela. A New Yorker é uma revista americana semanal que produz longas reportagens, ficção, poesias e até cartuns. É conhecida por adotar o jornalismo literário como estilo e alcança uma circulação de mais de 1 milhão de usuários. Para finalizar, McCarthy explicou que as renovações na revista e na web fazem parte de seu DNA.

Além destes, houve a exposição de experiências como o serviço “The Atavist”, que se caracteriza por longas histórias complementadas por hyperlinks, fotos, sons e total interatividade com o leitor, o “ProPublica” e o “El Faro”, reconhecidos na qualidade da prática do jornalismo investigativo, e o “n+1”, uma revista de literatura, cultura e política.

Foram discutidos alguns pontos comuns entre os jornalistas, como a preferência pelo jornalismo literário ao invés do jornalismo tradicional (trabalha com maior peridiocidade e menos aprofundamento) e o aproveitamento de todas possibilidades do meio digital para oferecer maior interatividade ao leitor. Além disso, foi abordada a questão do erro na apuração, principalmente nos sites que analisam dados. “O erro deve ser corrigido”, enfatizaram todos.

Texto: Sofia Schuck (2º semestre)