Falta de resfriamento em UTI agrava situação de pacientes

A falta de resfriamento nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTI), segundo médicos intensivistas, pode ocasionar hipertermia, a elevação da temperatura corporal nos pacientes. Além de desidratação, em casos mais graves, pode levar o internado a morte.

Há quatro meses, a UTI do Hospital de Pronto-Socorro (HPS), em Porto Alegre, está com três dos sistemas de climatização estragados. Em julho deste ano, médicos e enfermeiros solicitaram providências para direção do HPS sem serem atendidos.

Com o objetivo de chamar a atenção para situação, intensivistas do HPS encaminharam denúncia ao Ministério Público, ao Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), ao Conselho Regional de Medicina (Cremers) e para Prefeitura. Explicaram ainda que as alterações da temperatura corporal dos pacientes podem ocorrer devido às infecções, ao uso de determinados medicamentos e, inclusive, da exposição ao calor.

“Foram e estão sendo tomadas medidas para tratamento desta afecção, que se caracteriza por tentativas de redução de temperatura, como borrifar pacientes com soluções geladas, utilização de compressas com gelo, infusão de líquidos resfriados. Porém, visto a alta temperatura ambiental, muitas medidas se mostraram frustradas”, lamentaram os médicos.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) assegurou que “nenhum paciente teve complicação no quadro clínico, nem precisou ser transferido para outro hospital”. Em contrapartida, durante o período de quatro meses, pelo menos um dos internados esteve com 42,5 graus.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina que setores hospitalares, como UTIs, berçários, salas de cirurgia e quartos de internação, tenham ventilação adequada para evitar “a possibilidade de transmissão de infecções”. A Anvisa ressalta ainda que ventiladores portáteis ou de teto apenas “movimentam o ar ambiente”, sem realizar a filtragem acarretando na disseminação de bactérias.

Em 29 de outubro último, o secretário municipal da Saúde, Carlos Henrique Casartelli, afirmou não ter sido notificado antes dessa data. No mesmo dia, Casartelli determinou como emergencial a situação e prometeu que os sistemas estariam normalizados na segunda-feira, 03 de novembro. Nesta

data, os reparos foram concluídos no quarto andar. Entretanto, o conserto na ala dos queimados ainda não foi concluído e a promessa da SMS foi estendida até o final da terça-feira, 4/11. Mas nesta data, o sistema de resfriamento continuava danificado.

Texto: Cinthia Aquino Dias (6º semestre)
Foto: Wikipedia Commons