Fãs voltam para Terra Média em O Hobbit

Peter Jackson acertou a mão novamente. Em O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, o diretor consegue agradar aos fãs da obra original e ao público em geral. A situação é difícil e derruba muitos cineastas que adaptam livros para o cinema.

O novo longa baseado na mitologia criada por J. R. R. Tolkien é uma introdução à saga de O Senhor dos Anéis. E se a nova franquia não promete receber tantos prêmios e nem a aclamação da crítica especializada como a história de Frodo, com certeza irá repetir o bom desempenho nas bilheterias.

Uma Jornada Inesperada é o primeiro de uma trilogia que deve ser finalizada até 2014. Esse é um ponto a ser levado em consideração quando lembramos que se trata da adaptação de apenas um livro. Jackson espremeu ao máximo a obra de Tolkien para conseguir dividir o Hobbit em três partes. Tal fato poderia fazer torcer o nariz de fãs mais ortodoxos, não fosse o próprio diretor um desses fãs.

Além do mais, a espichada de roteiro não deve prejudicar a trilogia — pelo menos é a impressão que fica nesse primeiro filme. As cenas novas inseridas em O Hobbit, que não constam no livro, não são uma simples invenção. Estão fortemente enraizadas na mitologia de Tolkien, alcançando assim um novo patamar de licença poética, algo que volta a destacar Jackson como grande conhecedor do terreno onde pisa (tanto no campo literário quanto no cinematográfico).

O Hobbit não é tão bom quanto à trilogia do Anel, mas poucos esperavam que o fosse. E essa é mais uma vantagem do filme. Embora houvesse grande expectativa para o lançamento, sabia-se que dificilmente o novo filme seria superior à franquia antecessora. Encarado como “extra de luxo” por alguns entusiastas da Terra Média, não decepciona.

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, independentemente das comparações que possam surgir, é um grande filme. Dá ao espectador comum o que ele busca em um blockbuster e agrada aos fãs mais conservadores com fidelidade e respeito para com a obra original. Tem boas sequências de batalha, boa fotografia, boas atuações, excelente trilha musical e tomadas simplesmente extraordinárias. Além disso, inova ao ser projetado com mais quadros por segundo que o normal.

Então, para concluir, um conselho: se você é um dos fãs da mitologia de Tolkien ou do gênero de fantasia em geral, não perca a chance de conferir o Hobbit. Se você não for um desses fãs, idem.

Veja aqui uma opinião sobre o uso do HFR, “Filme provoca percepção do publico”.

Texto: Diogo Puhl Pereira (8º semestre)