Fenaj faz relatório de jornalistas torturados e mortos pela ditadura

Um relatório apontando jornalistas mortos, torturados ou censurados durante o regime militar será produzido pelas Federações Nacional, Internacional e da América Latina dos Jornalistas, respectivamente Fenaj, FIJ e Fepalc, para encaminhar à Comissão da Verdade. Celso Schröder, presidente da Fenaj, informou que na terça-feira, 12 de junho, as entidades anunciarão em audiência pública na Câmara dos Deputados a elaboração do documento.

Segundo o presidente da Fenaj, ainda estão sendo buscados recursos junto à FIJ e à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, a fim de que o projeto seja posto em prática. Para isso, será necessário contratar um grupo de pessoas para auxiliar na coleta de dados, muitos dos quais já estão disponíveis em livros e pesquisas científicas a respeito da ditadura. Schröder salienta que, além de sistematizar as buscas, será necessário averiguar informações escondidas. O objetivo é entregar o relatório à Comissão até o final do ano que vem.

“A Comissão da Verdade tem uma função essencial: é um acerto de contas do país consigo mesmo”, diz Schröder sobre esse trabalho iniciado recentemente com a posse dos integrantes. Além disso, com a obtenção de dados referentes à morte de jornalistas durante o regime militar, o presidente da Fenaj enfatiza que será possível traçar um paralelo entre a violência que os profissionais sofreram durante a ditadura e a que enfrentam hoje. Após o resultado das pesquisas da Comissão da Verdade, o Brasil se olhará de outra forma, acredita Schröder.

Para sustentar seus argumentos, o presidente da Fenaj cita a África do Sul, que só pôde crescer e evoluir a partir do momento em que os torturadores do Apartheid foram devidamente punidos e “acertaram as contas” com as famílias das vítimas. O objetivo da Comissão da Verdade é justiça e transparência, para que o Brasil possa conhecer as atrocidades cometidas durante o período do regime militar e possa trilhar o futuro sem o peso do desconhecimento.

 

Texto: Cândida Schaedler (1º semestre)