“Foi a cidade que perdeu com as cassações!”, diz Sereno Chaise ao receber mandato de volta

“Foi a cidade que perdeu com as cassações!” Com essa frase de impacto, o ex-prefeito Sereno Chaise, que teve ontem o seu mandato simbolicamente restituído junto com outros seis vereadores cassados pela ditadura, resumiu as cassações cometidas pelo regime de exceção que retirou o seu mandato e os dos demais homenageados.

Para o ex-prefeito, a homenagem simbólica da Câmara de Vereadores tem muita importância, pois é preciso lembrar desses fatos e evitar repeti-los. “Quando me cassaram não apresentaram sequer uma alegação para justificar esse ato, pois não havia a força do direito e sim o direito da força”, afirma Chaise. Em sua opinião, o maior prejudicado com as cassações foi o porto-alegrense, porque haveria um plano de mudança da fisionomia da cidade com orçamento federal já garantido quando ele teve o seu mandato arrancado pelo governo.

Além do ex-prefeito, foram também homenageados os ex-vereadores Marcos Klassmann, Índio Vargas, Hamilton Chaves, Alberto Schroeter, Dilamar Machado, Glênio Peres, além do ex-vice prefeito Ajadil de Lemos. A maioria deles já faleceu, então foram representados por familiares, como Lícia Peres, viúva do falecido vereador Glênio Peres, cassado em 1977. “Foi um ato justo e que me alegrou muito, por saber que as pessoas hoje em dia repudiam o ato de 1964, o que prova que a memória de Glênio continua viva”, avalia Lícia. Segundo ela, embora o ato seja simbólico, devolver os mandatos ressalta que as pessoas tiveram seus direitos violados e feridos e que estavam lutando por democracia e liberdade.

Também presente estava o pré-candidato a deputado federal pelo PCdoB André Machado, filho do ex-vereador Dilamar Machado. André avalia que, embora já tenham havido pelo menos quatro homenagens aos cassados, somente agora os mandatos foram devolvidos. “É de se esperar que eventos como este aconteçam na democracia, na qual é possível contar que houve um período sombrio na nossa historia em que pessoas eram cassadas por pensarem diferente”, afirma Machado.

Além dos familiares e de políticos, também estiveram presentes na cerimônia pessoas ligadas à luta pela democracia, como o músico Raul Ellwanger. “Tudo vai dando volta na vida, inclusive a política e os regimes violentos, então mais dia, menos dia, eles iam ter que acabar prestando contas”, comenta Ellwanger.

Texto: João Pedro Arroque Lopes (6º semestre)
Foto: Ederson Nunes (CMPA)