Fraude nas passagens é rotineira, diz cobradora

Segundo Elis Onofre, 26, cobradora da empresa pública de transporte coletivo Carris, a fraude na cobrança das passagens de ônibus é recorrente: “Isso acontece e é bem rotineiro”. Conforme relata, não somente na Carris, mas em outras empresas há profissionais que realizam o ato ilegal. A cobradora decidiu não participar da paralização da categoria após alguns amigos confessarem para ela que praticavam a ação. “A gente é desrespeitado enquanto trabalhador justamente por isso. As pessoas veem os outros fazendo e acham que todo mundo é igual”, desabafa.

Mas, para Elis, o uso indevido do cartão TRI não se restringe apenas aos cobradores: “O neto vem com o cartão da avó, o filho usa o cartão escolar da mãe, a mãe usa o cartão especial do filho que é doente”. Para ela, o problema é muito maior que as 26 demissões por justa causa anunciadas pela empresa pública de transporte coletivo.

“Esse grande volume de emissão dos cartões de isenção por parte da EPTC é que possibilita isso. Eles querem culpar os cobradores, mas na verdade quem tá fazendo o uso indevido do cartão é esses idosos que fornecem os seus cartões para os filhos, os netos, para as filhas, para as sobrinhas, para eles usarem”, argumenta o motorista e delegado sindical Luis Afonso Martins, 52, que está em greve na frente da Carris em tempo indeterminado. Para ele, a empresa está sucateada e eles querem colocar a culpa nos cobradores. Sobre as denúncias de fraude, diz: “Assim como todas as categorias, nós também somos frágeis nesse sentido”.

O problema das fraudes, evidenciado nessa segunda-feira (25) em Porto Alegre, não é exclusivo da cidade. Conforme conta a publicitária Niruana Satie, 25, a prática também é comum em Canoas: “Lá é uma prática muito comum na Sobal (uma das duas empresas de transporte coletivo da cidade) vários cobradores pediram para você pagar R$ 2,00 ao invés dos R$ 2,60 da passagem e você entrar pela porta de trás do ônibus e não passar pela roleta”.

João Paulo Magalhães, 25, coordenador da Assessoria de Comunicação da Carris, informa que os cartões TRI usados na fraude em Porto Alegre já foram bloqueados e os nomes dos donos foram encaminhados para o Ministério Público, o Tribunal de Contas e para a polícia. A empresa ainda irá entrar com um processo na justiça solicitando o ressarcimento do valor desviado.

Texto: Douglas Roehrs (6º semestre)
Foto: Betina Carcuchinski (2º semestre)