Frio chega com menor intensidade do fenômeno El Niño

Gaúchos já sentem o efeito com a queda das temperaturas, após chuvas fortes

  • Por: Sofia Mello Lungui (1º sem) e Caio Escobar (4º sem) | Foto: Miriam Sodré (1º sem) e Sara Santiago (3º sem) | 28/04/2016 | 0
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Rua Marechal Andréa, travessa da Avenida 14 de Julho

As temperaturas mais baixas devem predominar no Rio Grande do Sul no decorrer do outono, por conta do estado moderado do fenômeno El Niño, que trouxe muitas chuvas na região Sul nos primeiros meses deste ano. Esta é a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) para essa estação, que começou em março e termina em junho.

As águas do Oceano Pacífico sofreram um desaquecimento, provocando as alterações nos impactos do El Niño. Com isso, no início do outono houve elevação na precipitação e nas temperaturas da região Sul; já no período restante da estação haverá intensa redução das temperaturas e normalização do nível de chuvas, explica o boletim de março do INMET. Esse quadro contrasta com o do ano passado, em que fez muito calor na região Sul durante as estações frias.

Essa constatação aliviou muitos gaúchos, pois a chegada do outono desencadeou uma série de alagamentos em Porto Alegre no mês de abril. A Capital possui diversas áreas propícias a alagar, conforme os porto-alegrenses perceberam na segunda e na terça-feira (25 e 26), quando chuvas intensas tomaram conta de ruas e avenidas da cidade. Os comerciantes e moradores dos locais afetados reclamam.

Esquina da R. 14 de Julho com a R. Salomão Dubin
Esquina da R. 14 de Julho com a R. Salomão Dubin

A esquina das ruas 14 de Julho e Salomão Dubin, no bairro Boa Vista, estava completamente alagada, dificultando o acesso ao Colégio Monteiro Lobato. “Toda vez que chove é assim, mas como a maioria dos pais traz os alunos de carro, o movimento não é muito alterado”, contou funcionário da escola, Giovane Bachols. Ainda na zona Norte, na Rua 18 de novembro, no bairro Navegantes, havia outro ponto crítico. Ricardo Oliveira, proprietário da papelaria Mania Soft e ex-morador da rua, estava irritado com a situação: “Aqui (o problema) é crônico, faz mais de 10 anos. Há cinco desisti de reclamar com o Departamento de Esgotos Pluviais (DEP), mas no ano passado fui obrigado a abrir uma exceção e liguei umas cinco ou seis vezes”, relatou.

Na zona Sul, na Avenida Tramandaí, o DEP também é mencionado nas queixas dos entrevistados. “A prefeitura realizou obras para tentar resolver o problema, mas não ajudou em nada, só piorou. Segundo o DEP, as obras deveriam mover a boca do arroio Capivara mais para cima, mas os resultados foram abaixo do esperado” afirmou funcionário da Borracharia Ipanema, André Antunes. “Em dias que costumávamos ter 30 clientes, apenas três ou quatro vêm, por conta da chuva”, alegou.

Av. Guaíba, na Zona Sul
Av. Guaíba, na Zona Sul

De acordo com a Seção Sul de Conservação do DEP, a setor responsável pelos esgotos pluviais, não foram realizadas obras no arroio Capivara. A assessoria de imprensa esclareceu que o DEP realiza, periodicamente, limpezas nas bocas de lobo e poços de visita da região, além de drenagens. “(…) o problema de alagamentos na avenida Tramandaí se deve ao fato de o arroio Capivara ser muito estreito, com vazão insuficiente”, explica. Ainda segundo a assessoria, o DEP está à procura de recursos para iniciar as obras previstas para o local, que visam instalar sete reservatórios de detenção e ampliar a extensão do arroio, para extinguir o recorrente problema de alagamentos.