Gol fora de campo

Às 19h55, o som do estádio do Parque Esportivo da PUCRS começa a tocar Glad you came, do The Wanted. O Gre-nal feminino, marcado para iniciar entre 19h e 20h de quarta, 6 de novembro, parece improvável. Os refletores estão ligados e 13 torcedores aguardam na arquibancada, enquanto um vento gelado entorta as bandeirinhas de escanteio.

Às 20h04, Laura, camisa número 12 e goleira do Grêmio, se aproxima das arquibancadas e grita para Pedro: “Me botaram no gol! Vou ser taxada de frangueira pelo resto da faculdade!”. A estudante de Educação Física volta para o gramado e aguarda pelo trio de arbitragem, que chega por volta das 20h12. Quatro minutos depois, o som do estádio toca o clássico do Skank, É uma partida de futebol, e o narrador explica o motivo do jogo: doar os quilos de alimento não-perecíveis à instituição Kinder – Centro de Integração da Criança Especial. Até o final de jogo, 17kg haviam sido arrecadados – mas a organização do evento esperava mais até o dia seguinte.

Às 20h27, a partida inicia com chutes errados, “furos” na bola e poucas jogadas em direção ao gol, indicando a intenção do evento: jogo festivo. A equipe do Inter começa melhor e domina grande parte do primeiro tempo. Um torcedor vestido de azul e tomando chimarrão comenta com os amigos: “olha lá o Walter (atleta do Goiás conhecido por estar acima do peso)”, referindo-se à posição e à forma física da jogadora de número 15 da equipe colorada. Seis minutos depois do início do jogo, a arquibancada tem 26 pessoas na torcida, formada, principalmente, por pais, amigos das jogadoras e estudantes de Educação Física.

O Gre-nal feminino beneficente é um projeto da cadeira de Organização de Eventos do curso de Educação Física. Não é a primeira vez que acontece, já que o projeto foi desenvolvido por alunos que cursavam a disciplina há alguns anos. “É muito legal planejá-lo pelo espírito de pensar um evento desta proporção”, diz Gabriela Viceconti, uma das organizadoras. O grupo que organizou o jogo 2013/2 é formado por cerca de 15 alunos – mas, nem todos participaram.

O narrador parece conhecer a torcida, já que às vezes menciona alguns torcedores durante a narração – que silenciava quando o jogo ficava menos empolgante. No final do jogo, o placar é de empate, 1×1, com direito a gol do Inter nos últimos minutos de partida. A torcida, empolgada, entoa músicas da torcida Popular do clube. No entanto, a empolgação não se reflete no placar final: nos pênaltis, 2×1 para o Grêmio. Encerrada a partida, o trio de arbitragem, formado por estudantes, joga futebol.

O jogo, do ponto de vista técnico, deixa a desejar. É um festival de passes errados e de chutes para fora. Mesmo com a falta de gols – seis dos nove chutes dos pênaltis foram desperdiçados –, o gol principal foi marcado fora dos gramados. A Kinder, que acolhe mais de 300 bebês, crianças e adolescentes, é a que mais comemora a vitória. Golaço.

Texto: Bibiana Meneghini Dihl (6º semestre)

Foto: Guilherme Testa (6º semestre)