Gremistas repudiam atos de racismo

As injúrias raciais registradas no jogo entre Grêmio e Santos, na noite de quinta-feira (28/8), na Arena gremista, ganharam grande repercussão fora das quatro linhas. No dia seguinte ao fato, torcedores gremistas condenaram as ofensas dirigidas ao goleiro Aranha do Santos Futebol Clube e alguns anunciaram, pelas redes sociais, a desistência de torcer pelo Grêmio.

A jornalista Laila Garroni publicou no Facebook um depoimento desistindo de continuar torcendo pelo time. O motivo, segundo ela, não seria as derrotas no futebol (Grêmio perdeu para o Santos por dois a zero), que a faziam “desistir do clube, mas a derrota do ser humano contra o racismo”. Alguns amigos postaram comentários dizendo que pretendem fazer a mesma coisa, renunciar ao clube e deixar de ser sócios. A jornalista espera que esses atos sejam menos recorrentes, não só nos estádio, mas em todos os setores da sociedade e no estado. “Sendo eu, filha de uma mulher branca gremista e um homem negro e colorado, a questão racial sempre foi bastante ressaltada, principalmente no futebol”, afirmou.

Ao ser tratada com descaso, a questão prejudica a diminuição dos casos. Perguntada sobre a intenção de deixar de ser torcedora gremista, Laila acrescentou: “Se isso contribuir de alguma forma para acabar com o racismo no Rio Grande do Sul espero que o Grêmio perca quantos torcedores tiver que perder. A paixão por um time não pode ser maior que o respeito entre seres humanos. Se o Grêmio tiver o mínimo de sensibilidade, usará esse acontecimento para dar início a uma luta contra o racismo”, sugeriu.

O Grêmio Foot-ball Porto Alegrense publicou uma nota reforçando que repudia atos de racismo e se solidariza com o jogador do Santos. Completa, ainda, que esses atos são isolados e individuais, e não representam a torcida gremista. Na nota, ainda, o clube se responsabiliza pelos sócios, mas aqueles que não são parceiros do time não terão vista grossa para as partidas.

O presidente do Grêmio, Fábio Koff, concedeu uma entrevista, na tarde da sexta-feira, quando pediu desculpas formais ao goleiro e ainda prometeu encontrar todos os envolvidos. Até sexta foram identificadas dez pessoas, cinco delas cometendo atos racistas, sendo dois sócios. O mandatário reiterou que a promessa é encontrar todos os participantes do ato. “O Grêmio fará todo o possível para ajudar as autoridades policiais na responsabilização pelos atos que cometeram. É uma instituição de 111 anos. Não aceitamos generalização. Não foi o Grêmio ou a torcida. E sim, uma parte de torcedores que serão identificados”, finalizou Koff.

Durante a partida na noite de quinta, as câmeras da ESPN flagraram a torcedora Patrícia Moreira chamando o goleiro Aranha de “macaco”. Além disso, outros torcedores, inclusive um deles negro, imitaram sons de macacos em direção ao atleta. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) analisa as imagens e pretende tomar decisões em breve. Entre as consequências que poderão atingir o clube, pela atitude de torcedores, está a perda de mandos de campo ou até ser excluído da Copa do Brasil, Recentemente, o clube já havia sido multado em R$ 80 mil, por ofensas ao zagueiro Paulão do Inter na decisão do Gauchão.

Texto: Julia Bernardi (4º semestre)