Homenagem a Zezé Motta encerra o FestiPoa Literário de 2019

Neste ano, o evento focou na temática afro-brasileira, apresentando a atriz e ativista negra Zezé Motta como homenageada

  • Por: Manuela Neves (5º semestre) e Carolina Dill (1º semestre) | Foto: FestiPoa Literária/ Facebook | 04/05/2019 | 0

Uma conversa com a atriz e cantora fluminense Zezé Motta será a última atividade do 12ª FestiPoa Literária, evento que começou no dia 29 de abril e se encerra nesta segunda-feira, 6 de maio. O encerramento compreende a homenagem à atriz quando serão destacados importantes momentos de sua carreira, como Xica da Silva, Roda Viva e Luiz Melodia, contemplando cinema, teatro e música. Além disso, será abordada a admiração de Zezé pelo trabalho de Caroline Maria de Jesus, uma das primeiras escritoras negras do Brasil e autora do livro “Quarto de despejo: diário de uma favelada”. O evento final do FestiPoa acontecerá no Teatro do Prédio 40 da PUCRS, às 19h30 do dia 6.

Zezé Motta foi escolhida para a homenagem por ser a segunda atriz negra mais presente na televisão e no teatro brasileiro, junto com Ruth Souza. A escolha deve-se ainda ao seu ativismo em favor das mulheres negras e do feminismo estar vinculado ao tema da cultura afro-brasileira abordado nesta edição do FestiPoa. Fernando Ramos, responsável pela organização e curadoria do evento, explica que a presença da atriz é uma boa oportunidade para os jovens conhecerem o trabalho dela e demais artistas negras.

Neste ano, a FestiPoa teve sua programação dividida entre o Teatro da PUCRS, Salão de Atos da UFRGS, Sala Redenção UFRGS, Biblioteca da PUCRS, Instituto Goethe, Centro cultural da UFRGS e Bar Agulha. A programação é focada em literatura afro-brasileira e abre espaço para diversas vozes artísticas, novos autores e eventos culturais já consolidados em Porto Alegre. Nos dois primeiros dias de evento, a organização já percebeu maior participação do público, quando comparado a anos anteriores.

Quanto ao cenário político desfavorável à cultura, Ramos diz que “qualquer evento que tente tornar a literatura acessível é válido nesse atual contexto que procura abafar a cultura”. Segundo o organizador, eventos como a FestiPoa Literária pode ajudar a minimizar os impactos desse abafamento e mobilizações coletivas são importantes para a criação de alternativas mais sólidas. Ramos ainda completa comentando que o Brasil vive uma crise política e social, na qual projetos culturais não são prioridade para financiamentos e investimentos dos órgãos públicos.