Imigrantes haitianos tendem a ocupar vagas onde falta mão de obra

  • Por: Pedro Silva (5° semestre) | 06/06/2015 | 0

Em função do terremoto que assolou o Haiti em 2010, a população tem sofrido com fome, miséria e desemprego. Muitos haitianos decidem imigrar para regiões mais prósperas. Desde o final de 2014, Porto Alegre e outras cidades no Rio Grande do Sul vem recebendo os novos imigrantes. No entanto, a acolhida aos imigrantes têm sido criticada por quem vê neles a ameaça de ocuparem empregos dos quais brasileiros poderiam precisar.

Para o professor de Economia da PUCRS Gustavo Inácio de Moraes, a imigração pode ter um efeito positivo no país: “o Brasil como um todo talvez não tenha uma estrutura social para recebê-los oferecendo saúde, educação, transporte. Ao mesmo tempo, essa vinda pode gerar uma melhoria na economia, pois eles se habilitam em setores mais pressionados, nos quais às vezes falta mão de obra”. Moraes afirma que na situação atual da economia brasileira é improvável haitianos tirarem empregos de brasileiros, mas pondera que num possível cenário de regressão econômica, com desemprego, a situação poderia mudar. “Pode então gerar um conflito social entre imigrantes e desempregados nativos”, analisa.

O estudante Jean François veio do Haiti cursar mestrado em Economia na PUCRS. Após o terremoto em seu país, “a falta ou até inexistência de empregos tem gerado uma situação precária para a população”, relata. François afirma que as grandes queixas da maioria dos haitianos no estado são o idioma, o preconceito, os baixos salários e a informalidade de muitos dos empregos.

Luiz Fernando Caroni, gerente de um posto de gasolina em Porto Alegre, tem apenas elogios ao funcionário haitiano Martial Cyrise: “dedicado, pontual e nunca falta”. “A oportunidade de emprego surgiu naturalmente e ele passou pelo treinamento do emprego como qualquer outro que se candidatou à vaga”, afirma Caroni. Colega de Cyrise, Diego de Oliveira, trocador de óleo no posto, diz ter desenvolvido uma boa relação ao longo dos três meses de trabalho do haitiano, que segundo ele oferece bom atendimento e tem aprendido rápido a língua. “Os clientes até percebem ser de fora, mas nunca vi nenhum tipo de preconceito, pelo contrário: sempre uma demonstração de carinho e desejos de boa sorte à Martial”, finaliza.