Implosão do Olímpico está próxima e muitas dúvidas permanecem sobre suas consequências

O clima de despedida é visível em todas as dependências do Estádio Olímpico. Em dezembro do ano passado, os torcedores deram adeus ao Monumental. Agora, outra mudança repercute além da área do estádio e se amplia pelo bairro Azenha. Com o deslocamento do Grêmio para a Arena, no bairro Humaitá, e a entrega do estádio para a empresa OAS, a implosão do antigo palco gremista é inevitável, algo que, com certeza, deixará uma cicatriz no coração dos tricolores. O maior estrago da implosão, ainda sem data certa, atinge os moradores das proximidades do antigo campo gremista.

Prevista inicialmente para outubro, remarcada para novembro ou dezembro, a demolição do edifício deixa em alerta os residentes no bairro, que se queixam das poucas informações fornecidas pela construtora. Ronildo dos Reis, morador da avenida José de Alencar, relata que houve uma reunião, em 6 de agosto, entre moradores e representantes da OAS, quando foram dadas as primeiras informações sobre como será o procedimento de locomoção dos habitantes mais próximos da área de implosão. “O pessoal da OAS falou que serão retiradas as pessoas do entorno do Olímpico às 7h da manhã, e que receberão café, almoço e janta. Nós estamos esperando novas informações”, contou Reis.

Luciana, representante da OAS que frequenta o estádio, mas não informou o seu nome completo, destacou a importância da reunião entre empresa e moradores do bairro. Ela informou que a implosão poderá atingir um raio de 200 metros no perímetro em torno do estádio. Por isso, a OAS vai fornecer transporte para as famílias que serão deslocadas para algum lugar na região, um ginásio provavelmente. Luciana explicou que os moradores precisarão ficar fora de suas casas apenas por uma hora no dia da destruição do estádio. Mesmo assim, a construtora oferecerá abrigo até a noite. Ela revelou ainda que o evento de desmonte do estádio deverá acontecer às 10h de uma manhã de domingo.

Outra residente do bairro, Lucinéia de Lima Peixoto, que mora na avenida Carlos Barbosa e participou da reunião em 6 de agosto, ressaltou estar muito descontente com as atuais medidas tomadas pela construtora. Ela reclamou da divergência de informações sobre o intervalo de tempo em que os habitantes do bairro permanecerão fora de suas casas. “Os encarregados da implosão falaram que serão retirados todos os moradores do entorno do Olímpico as 7h da manhã e que voltaríamos para casa uma hora após a implosão, mas surgiram informações de que só poderíamos nos deslocar para nossos lares às 18h.”

Lucinéia acrescenta que alguns funcionários da OAS citaram possíveis danos em aparelhos eletrônicos e nas paredes, pelo forte impacto da implosão do estádio nas residências. “Estou muito preocupada com uma possível destruição de algum bem material na minha residência, estou tirando fotos dos meus pertences para provar que eles estavam intactos antes da implosão”, relata. Porém, Lucinéia destacou a gentileza dos representantes da empreiteira ao expor as medidas que serão adotadas por ocasião da implosão. Além destas questões, outras ainda permanecem sem resposta. Por exemplo, qual será o apoio dado pela OAS, se algo der errado na implosão, como no caso de eventual dano em alguma residência próxima ao Olímpico?

O Editorial J tentou contribuir para esclarecer as dúvidas da população atingida no bairro Azenha, mas também não obteve respostas dos representantes da OAS.

Texto: Augusto Lerner (3º semestre)
Fotos: Emilio Camera (3º semestre)