Imprensa disputa cobertura do voto de Dilma

  • Por: | 26/10/2014 | 0

“Presidenta, vira para a foto! Dilma, aqui!”, gritavam fotógrafos e cinegrafistas, que se amontoavam em um espaço de aproximadamente 10 m² reservado à imprensa na sala de aula da Escola Estadual Santos Dumont, na zona sul de Porto Alegre, onde vota a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT. Mesas escolares separavam as cerca de 50 câmeras de Dilma e do governador Tarso Genro, que também disputa um novo mandato. Profissionais e amadores se acotovelavam em busca da melhor imagem, alguns beneficiados por escadas, cadeiras e tripés.

Voltar para a redação sem a foto principal não é uma opção. O fotógrafo Vinícius Costa critica a forma como a cobertura é realizada. Segundo ele, os profissionais têm responsabilidade pelo conteúdo produzido – o que, muitas vezes, não é entendido por parte daqueles que não são formados. “Pessoas sem diploma de jornalismo não devem fazer este tipo de cobertura, assim como pessoas sem carteira de motorista não devem dirigir”, compara.

A chegada de Dilma esta manhã à seção eleitoral gerou corre-corre por parte da imprensa. Estavam presentes mais de 20 veículos de comunicação, entre eles RBS, SBT, Band, Sul21, Record e Jornal do Comércio, além da Assessoria de Comunicação do Palácio do Planalto.

A presidente não demonstrou sentir pressão frente às lentes. Ao lado de Tarso Genro, entrou calmamente na sala, cumprimentou a todos, e posou para as câmeras tomando chimarrão oferecido pelos mesários. Depois de votar, interagiu com os jornalistas, mostrando sua carteira de identidade e o comprovante de votação. Os repórteres saíram correndo para registrar o momento em que Dilma deixou o local.

Tendo em mãos a última edição das revistas IstoÉ e Veja, que traziam na capa acusações contra Dilma, o jornalista Eros Prado, do programa Pânico, da Band, abordou o carro da presidente em meio à confusão. Em tom irônico, Prado disse que pediu para a presidente escolher qual das duas revistas era sua preferida. A abordagem causou indignação entre os militantes do PT presentes no local, que xingaram o repórter. “A mídia diz que é imparcial, mas se posiciona através de atitudes como a deste repórter”, acusa Adelar Gallina, morador das redondezas, que segurava uma bandeira do partido.

O ex-governador Olívio Dutra, que perdeu a disputa por uma vaga ao Senado, chegou à escola onde Dilma vota pouco depois que a presidente havia saído. Ele afirmou que a mídia abastece interesses privados de grupos de comunicação. “A mídia tem posição. É um partido. Ela organiza a agenda dos partidos adversários. Não tem nada de imparcial”, analisa. O ex-governador alertou que não se deve confundir liberdade de imprensa com empreendimento, pois as empresas fazem da informação uma mercadoria e a “embalam segundo interesses de lucro”.

Ouça a entrevista com Olívio Dutra

Entrevista com Olívio Dutra by Editorialj on Mixcloud

Sem Dilma, sem Tarso e sem Olívio, bastaram poucos minutos para o local, antes tumultuado, ficar praticamente vazio. Parte dos jornalistas saiu para as redações, e outros acompanharam os candidatos em sua agenda de entrevistas.

Texto e fotos: Gabriela Rabaldo (4º semestre), Isabella Mércio (3º semestre)