Inaugurada placa em memória às vítimas de tortura na capital

Ato resgatou passa do local que foi o Dopinho, um dos centros de tortura durante o regime militar. A homenagem feita pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos, em parceria com a Prefeitura de Porto Alegre

  • Por: Pedro Silva (6º semestre) | Foto: Annie Castro | 13/08/2015 | 0

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As mãos do ex-guerrilheiro Valdetar Antônio Dorneles ainda guardam as marcas da tortura praticada pela ditadura militar (1964-1985). Ele conta sua história como forma de preservar a memória contrária aos abusos praticados pelo regime. Desde a tarde desta quarta-feira (12/8), Dia Mundial dos Direitos Humanos, a Rua Santo Antônio, em Porto Alegre, também ganhou um sinal para lembrar as atrocidades e evitar que novos abusos sejam praticados no futuro.

Em frente ao número 600, foi inaugurada uma placa em memória ao local que ficou conhecido o Dopinho. A homenagem feita pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos, em parceria com a Prefeitura Municipal de Porto Alegre e faz parte do projeto Marcas da Memória. A iniciativa procura desvendar pelos espaços públicos da capital gaúcha locais que tenham servido como centro de detenção da ditadura militar.

Presente ao ato, Dorneles mostrava, 51 anos depois, as cicatrizes que os militares deixaram no seu corpo, quando foi capturado em uma operação em Três Passos (RS). Os dedos das mãos ainda exibem os traços das cordas de nylon que eram pressionadas a cada pergunta sobre seus companheiros de luta. Ele comentou que o memorial serve também àqueles que, ainda hoje, pedem a volta do regime militar. “O povo que pede a ditadura não sabe o que é a ditadura”, defendeu.

O Dopinho foi o primeiro centro clandestino de detenção do Cone Sul. O local funcionou como estrutura paramilitar de interrogatório e tortura, ordenados pelo regime militar (1964-1985). Em meio a discursos e a um breve bloqueio da rua, a placa foi apresentada em plena calçada e sob os aplausos dos presentes à cerimônia. Para o Luciano Marcantonio, Secretário Municipal dos Direitos Humanos, o ato “resgata a lembrança do quão cruel ao ser humano é qualquer tipo de ditadura”. Ele acrescentou que a ideia “serve para que permaneça na memória do povo e para que não se repita qualquer tipo de golpe, seja militar ou civil”.

Jair Krischke, ativista pelos direitos humanos, ressaltou a necessidade de as novas gerações terem conhecimento sobre o que se passou na cidade na ditadura militar. Esse é o quarto marco em Porto Alegre de locais de repressão de um total de 22. Jair enfatizou que ” o sangue dos que sofreram na ditadura não pode ficar impune”. Ele concorda com Dorneles sobre a necessidade de acordar a população que pede a volta do regime. “Criou-se um vazio de memória na população brasileira”, disse Krischke, como resultado de uma sociedade alienada e da falta de educação histórica às pessoas.