Indígenas aproveitam a Páscoa para vender artesanato

  • Por: Kamylla Lemos (3º semestre) | Foto: Cláudia dos Anjos (8º semestre) | 02/04/2015 | 0

IMG_0969-2web

 

“Quando um índio está vendendo os artesanato, ele está mostrando a sua cultura”, diz o cacique Aldo Pinto, um dos membros do grupo de Caingangues abrigado há mais de dez dias no Parque Harmonia, em Porto Alegre. Todos os anos, indígenas da tribo se deslocam do interior do estado, de cidades como Lajeado do Bugre e Constantina, para a capital, a fim de comercializar cestas de Páscoa e outros tipos de artesanato.

As cestas coloridas são feitas de taquara e pintadas com anilina, para deixar a cor mais chamativa — antes, eles usavam cipó, mas a cor ficava fraca. A tradição da cestaria passa de geração em geração e é ensinada ao longo da infância. A venda das cestas gera renda para as famílias Caingangues há vinte anos. Com preços entre R$ 5 e R$ 20, dependendo do tamanho, são comercializadas no centro de Porto Alegre.

Apesar de as cestas serem a renda principal nessa época, os indígenas também produzem filtros de sonhos e arcos e flechas, assim como outros artigos de artesanato. Além de Porto Alegre, cidades turísticas como Canela e Gramado recebem, no verão, a arte e a cultura da tribo. Antonio Kanheiro, de Lajeado do Bugre, lamenta a época de Páscoa não é tão boa para as vendas o verão e outras festas. O cacique Aldo Pinto pondera que eles não vendem tudo, “mas o que vender já é lucro para a gente”.

A estadia nesse período de Páscoa no Parque Harmonia foi solicitada à prefeitura  pela Fundação Nacional do Índio (Funai) através da Secretária Municipal do Meio Ambiente (SMAM), visto que muitos indígenas costumavam se instalar no centro de Porto Alegre.