Intensa movimentação de eleitores no aeroporto e na rodoviária de Porto Alegre

  • Por: | 27/10/2014 | 01

O segundo turno da eleição também movimentou o aeroporto Salgado Filho e a Estação Rodoviária de Porto Alegre na manhã de deste domingo (26/10). Eram leitores que procuravam justificar a ausência da sua seção eleitoral nos postos instalados para isso ou que enfrentam viagens extensas para exercer o seus direitos como cidadãos.

No segundo andar do aeroporto, Flávia de Souza, 18 anos, Andressa Vitório, 19, Miriam Grener, 18, e Ana Carolina Correa, de 36, se dirigiam ao posto de justificativa de voto por estarem longe de casa. As três garotas e a professora, de Belo Horizonte (MG), não estavam na sua cidade devido à premiação recebida que as levou a apresentar o projeto desenvolvido no curso técnico de transportes e trânsito, em Novo Hamburgo. Elas consideram que a obrigatoriedade do voto faz com que percam a vontade de exercer o direito de escolha dos futuros governantes. “A banalização leva à descrença da seriedade do voto”, afirmou uma delas.

A aeromoça Thaylane Souza, de 22 anos, chegou do Rio de Janeiro na manhã de domingo. A carioca contou que, desde o ingresso na profissão, teve que justificar o fato de não votar, mas ela não se importa com isso, porque não enxerga opções partidárias que motivem sua participação.

No setor de desembarque, o clima era mais caloroso. Eleitores circulavam com selos de apoio a seus candidatos, colados no peito. O voto visto por alguns como um fardo, tem um valor importante para quem corre para sua zona eleitoral. Marta Reis, por exemplo, antecipou seu voo de Nova Iorque para votar em seu candidato em Porto Alegre. A gaúcha, que estava em um congresso no exterior e também de férias, destaca seu desejo por mudanças no cenário político, econômico e social. “O Brasil tem uma imagem defasada no exterior, antigamente era visto com bons olhos e, agora, não é mais referência para nenhum país. Isso precisa mudar”, enfatizou.

Preocupado também com o voto, o publicitário Wellington Santos lembrou que como a disputa entre os candidatos estava acirrada, qualquer voto faz a diferença. “Então, como cidadão quero exercer os meus direitos”. Paulista, o publicitário estava em Navegantes (SC), mas como reside em Porto Alegre há dois anos, voou até a capital gaúcha com o intuito de votar em trânsito, no caso somente para presidente.

Na Rodoviária

Na Rodoviária de Porto Alegre, a movimentação de passageiros era normal com muitos eleitores encaminhando justificativa por não votar. O engenheiro Jonathan Coimbra, de 28 anos, trabalha em Rio Grande (RS) e justificou o não comparecimento à sua zona eleitoral por estar na capital.

O motorista de ônibus Regis Felipe, que vota em Santana do Livramento (RS), disse não se importar de ter que justificar pela terceira vez. Ele tinha opção de votar em trânsito, porém preferiu justificar porque estava indeciso na escolha do candidato.

Apesar de diversas pessoas estarem justificando por não votar, muitos passageiros vieram a Porto Alegre justamente para votar, pois pretendiam exercer o papel de cidadão. Rogério Martins veio de Rio Grande (RS) especialmente para votar e aproveitou essa situação para ver a família que ainda reside em Porto Alegre.

Herve e Danielli Menezes, mãe e filha, têm opções distintas quando o assunto é política. Danielli que justificou seu voto, pois está longe de sua cidade eleitoral contou que se estivesse em Santana do Livramento (RS) certamente votaria no candidato do PSDB. Sua mãe, que mora em Parobé (RS), ressaltou que “graças a Dilma tenho emprego, pois ela proporcionou cursos em que a sociedade ganha. Admiro Dilma como mulher”, concluiu.

Como posições contrárias, Aleson Ribeiro e Luiz Eugênio fizeram questão de voltar a Porto Alegre a tempo de votar. Aleson estava na sua cidade natal, Camaquã, e veio mais cedo para poder votar na candidata petista. “Voto na Dilma porque creio que as questões sociais estão à frente das questões financeiras”, explicou Aleson. Luiz, que é natural de Minas Gerais e atualmente reside em Porto Alegre, é um crítico do PT. Ele afirmou que já fez parte deste partido, mas como se desvirtuou muito com o passar dos anos, o mineiro deixou de votar nos candidatos petistas.

Texto: Stephanie Soares e Pâmela Matias (2º semestre)
Foto: Juliana Baratojo (2º semestre)