Intercom debate a relação de consumo de crianças e jovens e o cosplay

O painel que tratou da “Comunicação e Consumo: O consumo como gesto político e de identidade” teve como debatedoras as professores da ESPM de São Paulo Mônica Rebeca Nunes e Maria Isabel Orfino na tarde de 8 de maio na Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul). O painel integra o XV Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sul (Intercom Sul) que se realiza (até 10 de maio) na unidade Pedra Branca da Unisul, no município de Palhoça (SC).

O ponto principal do painel foram as pesquisas empíricas realizadas pelas docentes na construção semântica do consumo a partir da visão da criança. Mônica Nunes iniciou apontando os dados que a motivaram a realização da pesquisa. A resolução 163 da Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) de 13 de abril deste ano, através da ONG Alana, apresenta ao governo a proibição da veiculação de propagandas para crianças. Mônica é contrária a essa proibição e pretende com o seu trabalho apresentar subsídios para que a resolução não seja efetivada nos meios de comunicação. “Os adultos falam em nome da criança, o Conar tende a colocar a criança como agente vulnerável ao consumo, sem consultar os mais interessados nisso, a criança”, enfatizou.

Na exposição, a professora apresentou o jornal “Criança Alerta”, produzido nos oito meses em que ela se dedicou ao trabalho de campo. Com 25 crianças do bairro Barra Funda, em São Paulo, ela visitou uma ONG frequentada no contra-turno quando observou a forma de ver e pensar o consumo dos jovens. Através de desenhos, dados, fotografias e a produção do telejornal, sugerido pelas crianças, com base no programa Cidade Alerta, do apresentador Marcelo Rezende. A professora comentou que “esse jornalismo sangrento, sensacionalista (do Cidade Alerta) não é a forma que devemos passar para as crianças a sociedade. Não devemos exclui-los, mas produzir programação educativa para que ela possa também opinar na sociedade. A criança não é um ser alienado e não-opinativo”.

Através de uma produção multimídia que envolveu todos os estudantes na produção do programa, permeado pela opinião dele, a professora constatou que “com a inocência na forma de falar, eles reproduziram verdades que existe no mundo”, completou Mônica. Com a conclusão da pesquisa, o resultado foi positivo, pois mesmo produzindo conteúdo através de um jornalismo sensacionalista, os jovens conseguiram opinar sobre as reivindicações essenciais na sociedade. “A criança reproduz, mas não interpreta o conteúdo. Ela usa a linguagem, mas não o conteúdo. Fiquei muito feliz com isso”, finalizou.

Em contrapartida, Maria Isabel Orfino trabalhou com cosplay e culturas juvenis. Em função da vasta rede midiática que os prende de uma forma não-intencional, os cosplays tentam traduzir o seu sentimento através dessas narrativas e personagens. Com um mapeamento da opinião dos jovens e a análise dos cases encontrados, Maria Isabel pode analisar a forma libertadora desta vestimenta e do ser e agir. Os jovens buscam a liberdade. Enquanto todo mundo quer ser igual, eles (que se dedicam ao cosplay) resolveram ser diferente. “Essa tônica apresenta uma ruptura com o discurso midiático de uma certa hegemonia”, pontua ela, enfatizando a ressignificação dos signos a partir da potencialidade dos jovens na construção da sociedade.

Texto: Julia Bernardi, Jéssica Moraes e Yasmin Luz (3º semestre)