Brasil ganha uma medalha a cada R$ 400 mil investidos em atletas profissionais

Programa Bolsa-Atleta patrocinou a conquista de 61 medalhas nos jogos da China e Londres

  • Por: Gabriel Gonçalves (8º sem.) | 19/08/2016 | 0
Foto: Agência Brasil
Foto: Agência Brasil

Programa de patrocínio federal a atletas brasileiros, o Bolsa-Atleta atravessa o seu terceiro ciclo olímpico de vida nas Olimpíada do Rio 2016. Nos dois primeiros jogos em que patrocinou atletas, em Pequim 2008 e Londres 2012, 61 medalhas foram ganhas por bolsistas inscritos nas categorias Bolsa Olímpica, Paraolímpica, Nacional e Internacional.

Entre a primeira portaria de esportistas patrocinados, publicada em 2005, até os jogos olímpicos de Londres, a soma de todas as mensalidades distribuídas através das categorias Olímpica, Paraolímpica, Nacional e Internacional totalizam cerca de R$ 25 milhões destinado aos atletas de alto rendimento. Se as 61 medalhas obtidas por bolsistas destas nas duas olímpicas forem divididas pelo total de investimento feito entre 2005 e 2012, chega-se à contia de uma medalha olímpica conquistada a cada R$ 400 mil em investimentos de atletas brasileiros de ponta.

O cálculo não inclui os bolsistas da categoria Pódios entre as 61 conquistas olímpicas, pois o Ministério do Esporte forneceu o histórico de mensalidades de apenas seis categorias do programa para a reportagem. Também ainda não leva em consideração o desempenho dos atletas brasileiros no Rio.

Na relação entre bolsas recebidas e medalhas conquistadas, a ginástica artística é o esporte de alto rendimento mais rentável dentre as categorias esportivas beneficiárias do Bolsa-Atleta. A modalidade recebeu apenas 355 Bolsas em 11 anos, que resultaram em uma medalha de ouro ganha pelo ginasta e bolsista Arthur Zanetti, em Londres.

O judô aparece como segundo esporte com maior retorno simbólico no programa. Com 1.937 bolsas arrecadadas ao longo dos 11 anos do Bolsa-Atleta, a categoria alavancou quatro bolsistas ao pódio nas Olimpíadas de 2012, sendo a quarta modalidade esportiva que mais recebe Bolsas-Atleta.

O atletismo, maior arrecadador de bolsas, por envolver mais modalidades esportivas, com mais de 5 mil bolsas recebidas ao longo de uma década, não teve atletas beneficiários da bolsa no pódio, em ambos os jogos olímpicos. Na média, as dez categorias mais rentáveis do programa renderam uma medalha a cada 213 Bolsas-Atleta destinadas. No cálculo, foram contabilizadas todas as bolsas das categorias Estudantil, Base, Nacional, Internacional, Olímpico e Paraolímpico.

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Menor investimento nos atletas em formação

No quadro de distribuição de bolsas por categoria, o Bolsa-Atleta se mostra um programa voltado ao esporte de alto rendimento. Esta característica permite o patrocínio de atletas cujo potencial já é reconhecido. Em contrapartida, os atletas em formação recebem um número reduzido de bolsas. Durante 11 anos de programa, foram distribuídas apenas 4 mil mensalidades de Bolsas-Atleta para as categorias Estudantil e Atleta de Base. Sob essa estrutura, o programa se mostra focado nos atletas com potencial já desenvolvido, e menos voltado para os esportistas futuros.

Campeã brasileira de judô sub-23 e integrante da seleção brasileira da categoria, a judoca Bruna Campos começou a receber Bolsa-atleta na categoria Atleta-Base. Hoje, beneficiária da Bolsa Nacional, a judoca fala da importância do programa na carreira. “O Bolsa mudou bastante meu desempenho. Eu consegui muitas coisas que, sem o Bolsa, eu não conseguiria. Em termos de material esportivo, roupa adequada de treino. É um valor que você tem de saber administrar, para comprar o que é importante”, afirma.

Em Pequim e Londres, os dois jogos olímpicos realizados posteriormente à criação do programa, o Brasil conquistou 42 medalhas a mais que na Olimpíada de Sidney (2000) e Grécia (2004), realizadas antes da existência do programa.