Jornalista corredor realiza corridas em assentamentos na Capital

Rodolfo Lucena visitou, na última semana, assentamentos do Movimento Sem Terra, para o projeto Maratonando com MST.

  • Por: Maria Fiorini (2º sem) | Foto: Juliana Baratojo (4º sem) | 16/11/2015 | 0

_MG_3689

Dois livros publicados, dois blogs e uma paixão: correr. Há 15 anos, Rodolfo Lucena deixou o sedentarismo de lado e começou a realizar corridas pelo mundo. “Logo me apaixonei por maratonas e corridas de longa distância, então comecei a tentar juntar a vida de jornalista com a de corredor”, conta Lucena. Essa semana esteve em Porto Alegre visitando assentamentos do Movimento Sem Terra (MST) para o seu novo projeto, Maratonando com o MST, que leva a corrida a vida dos assentados. Movido pela vontade de conhecer o mundo e contar histórias, o jornalista sempre procura juntar seu desafio na profissão com o esportivo. Famoso por levar a corrida para lugares não comuns e pessoas inusitadas, Rodolfo acredita poder de alguma forma despertar, com essas experiências, as pessoas para a atividade física. “ Acho um mundo muito legal. Por isso acredito que elas possam se interessar também em correr”, diz ele.

No início dos anos 1990, o jornalista começou a escrever para a revista Conta Relógio, especializada em corridas. Um tempo depois, propôs para a Folha de São Paulo, lugar que hoje ainda trabalha, a criação de um blog e uma coluna de corridas. Atualmente, a coluna não existe mais, mas Lucena ainda contribui com resenhas para o jornal, além de escrever para o Blog do Lucena, contando as experiências da vida de corredor e o Maratonando com o MST (Movimento Sem Terra), falando da vida dos assentados que experimentaram praticar a corrida. Em 2006, lançou seu primeiro livro Maratonando: Desafio e Descobertas nos Cinco Continentes, que conta a sua trajetória de sujeito sedentário a corredor pelo mundo. Seu segundo livro, o Mais Corrida, é uma seleção de textos publicados na coluna e no blog com relatos de provas e entrevistas.

Lucena faz também projetos. O primeiro foi 460km por São Paulo, em que ele correu, durante 43 dias, pela maior cidade do Brasil resultando na criação de um blog especial. “Cada dia eu corria um trechinho num local pouco conhecido de São Paulo, fazia entrevistas com pessoas da comunidade, descobria coisas interessantes da região e contava essas histórias no blog”, revela ele. A proposta foi inspiradora para aquele que está trabalhando agora, o Maratonando com o Movimento Sem Terra (MST). O plano é correr 1 mil quilômetros nos assentamentos, levando para as pessoas a ideia da necessidade da prática da atividade física com a realização de palestras e oficinas. “Corro nesses lugares diferentes, muitas vezes inacessíveis para algumas pessoas, e no blog conto as histórias da experiência que os assentados vem tendo e da minha como corredor”, fala Lucena.

O jornalista conta que a vontade de correr com os movimentos sociais foi movida pela pouca divulgação da mídia geral da vida das pessoas sem moradia. “Eles são notícia quando chocam. Quando está tranquilo, não são”, desabafa. O trabalho aproveita o aniversário de 30 anos da primeira ocupação do MST na Fazenda Annoni, no norte do Estado, realizada por mais de sete mil trabalhadores rurais Sem Terra, para mostrar os acontecimentos depois do drama e como eles vivem de uma maneira geral nas seis regiões do Brasil que estão presentes. Na primeira etapa, percorreu o sertão de Pernambuco e agora está na segunda, no Rio Grande do Sul. “Fiz uma corrida de cem metros com padeiras que trabalham num panifício criado pelos assentados filhos de sem-teto. Umas conseguiram correr 50m, outras 100m e acabamos nos divertindo”, conta ele.

 A ânsia de descobrir lugares novos para praticar a atividade preferida e aproveitar a corrida como forma de descobrir lugares novos e trazer para o público é o que move o jornalista. O importante, para ele, é ver a felicidade, depois da experiência, daqueles que com cinquenta anos, nunca haviam realizado uma atividade física fora o trabalho. “Mais do que qualquer paisagem, são as pessoas com quem a gente teve a oportunidade de conviver nesse período. Essa é a experiência mais legal”, conclui Lucena.