Lanches são alternativa de almoço para contornar inflação

  • Por: Maria Antonia Fiorini (1º semestre) | Foto: Yanlin Costa (4º semestre) | 19/06/2015 | 0

 

 

 

 

 

 

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Almoçar pagando pouco está cada vez mais difícil, ainda mais se a ideia é gastar no máximo R$ 10. Nos últimos 12 meses, o brasileiro que comeu na rua pagou em média 10% a mais pelas refeições. A alta ficou acima da inflação no período, que foi de 8%, conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Apesar dos reajustes salgados, no centro de Porto Alegre há opções para se almoçar bem, sem gastar muito.

 

Para João Carlos Feiten, dono de uma lancheria no Mercado Público que serve pratos feitos na hora do almoço, apesar da elevação dos preços, o movimento não caiu em seu estabelecimento. “Sempre temos a sugestão do dia, que é um cardápio que varia a cada dia e custa R$ 10″, conta. “Temos também o risoto, que pode ser com feijão ou salada, e sai por R$ 8,50″, acrescenta. Feiten, no entanto, prevê um aumento dos valores em breve, pois seus custos, desde o ano passado, subiram 40%. “Eu pagava R$ 70 pela caixa de tomate e hoje pago cerca de R$ 110″, compara.

 

Apesar de a maioria dos restaurantes e lancherias não repassarem toda inflação para os clientes, os consumidores criam suas estratégias para escapar da elevação dos preços. O corretor de imóveis Paulo Rogoski, por exemplo, passa o dia inteiro fora de casa. Antes de sair, toma um café da manhã reforçado para evitar ter de almoçar na rua. Em vez disso, prefere lanches, pois acaba gastando menos. “Uma vez eu conseguia almoçar um prato por R$ 7, mas hoje está tudo acima de R$ 15″, lamenta.

 

O instalador hidráulico Alessandro Silva e a família seguidamente estão no Centro e também preferem lanches na hora do almoço, pois assim todos conseguem se alimentar pagando entre R$ 17 e R$ 30. Apesar do favoritismo dos consumidores, as lancherias estão sentindo os efeitos da elevação dos custos. “O movimento é bom até o dia 15 do mês, depois diminui”, observa Angela Ramos, ajudante de uma lancheria localizada na Praça XV de Novembro. Os lanches preferidos pelos clientes são pastel e xis, que podem sair por R$ 3 e R$ 4, respectivamente.

 

Andando pelas ruas do Centro, percebe-se o apelo dos comerciantes na disputa pelos consumidores. Valem gritos, cumprimentos e simpatia para atrair o público, em época de vacas magras. Elaine Borges, dona de uma lancheria numa galeria na Rua Voluntários da Pátria, no passado servia cerca de 150 almoços por dia. Hoje, o número caiu para cerca de 50. “Com o aumento do desemprego, as lojas fecham e fico sem clientes para o almoço. Somente nesta semana já perdi 20 clientes”, contabiliza. Devido à inflação de custos como luz, água e alimentos, Elaine precisou cortar gastos. “Tinha oito funcionários, agora tenho seis. Preferi optar também pelo mais barato”, reconhece.