Livro reconstitui trajetória de guerrilheiro do Araguaia

O ano era 1971, o estudante Cilon Cunha Brum estava presente no batizado de sua sobrinha. Era a última vez que o jovem militante comunista teria sido visto pela família. Segundo relatos, ele tinha deixado a vida universitária e carreira promissora para combater a ditadura na Guerrilha do Araguaia. O enredo que parece de romance é o tema central do livro de Liniane Haag Brum, Antes do passado: o silêncio que vem do Araguaia.

A autora e sobrinha do desaparecido, além de reconstituir os passos do tio, faz uma busca emocional para elucidar um dos episódios mais controversos de nossa história. “Quem espera ler um trabalho jornalístico ou uma pesquisa historiográfica vai se decepcionar. Eu utilizei muito de teoria literária para descobrir quem foi meu tio. Antes de histórica e jornalística, foi uma busca emocional”, reitera Liniane.

A autora viajou ao Pará e Tocantins entre 2009 e 2010, para colher depoimentos de personagens que conheceram seu tio. “Mesmo 30 anos após o ocorrido, o episódio está muito vivo nas memórias daquela população”, conta. A escritora destaca ainda que procurou fugir do lugar comum: “Posso ser pretensiosa mas a minha narrativa não recai sobre a luta entre direita e esquerda, mas sim da relação entre família e Estado. É uma história que mostra como uma família foi vitima do Estado.”