Livro resgata Segunda Campanha da Legalidade

A Campanha da Legalidade, liderada pelo então governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola, em 1961, teve uma segunda versão em 1964, na tentativa de reação ao golpe de 31 de março que implantou a ditadura militar no país. O episódio acaba de virar um inédito relato no livro ‘Segunda Legalidade – Registros históricos e jornalísticos’, organizado pelos professores Luciano Klöckner, Charles Monteiro e Luciano Aronne de Abreu, dos cursos de Jornalismo e História da PUCRS.

Com menos adesão política e poucos registros históricos, a chamada Segunda Legalidade é resgatada pelos pesquisadores em 171 páginas e um Dvd, com depoimentos de oito testemunhas da época. O professor da Famecos Luciano Klöckner conta que a falta de relatos fora um dos maiores obstáculos durante a pesquisa. “Tive muita dificuldade em conseguir depoimentos. As pessoas, que participaram da primeira, não queriam falar da segunda, pois haviam perdido. Outro problema foi a confusão das pessoas, que confundiam muito a primeira com a segunda”, disse.

Diferente de 1961, quando a campanha contou com o respaldo do Governo do Rio Grande do Sul, a segunda reação em defesa da legalidade (pela manutenção de João Goulart na presidência do Brasil) foi organizada pelo prefeito de Porto Alegre, Sereno Chaise. O ato ocorreu na prefeitura da cidade, com duração de apenas três dias. O fracasso da campanha contribuiu para o quase esquecimento do episódio na história do Estado. Para Klöckner, a falta de êxito se deve a várias adversidades políticas do cenário da época, diferente dos dispositivos favoráveis de 1961.

Entre as “adversidades”, o professor lembra que Brizola já não era mais o governador do Rio Grande do Sul. No Palácio Piratini, estava Ildo Meneghetti, favorável à intervenção militar. O Exército, que na primeira legalidade, apoiou Leonel Brizola, desta vez ajudou a dispersar a população que se reuniu em frente à prefeitura. O presidente João Goulart (Jango) encontrava-se no período mais conturbado do mandato, pressionado pelas reivindicações trabalhistas e sofrendo com os altos índices de inflação. “A população se reuniu tanto na Praça da Matriz, em frente ao Palácio Piratini, quanto na praça na frente da prefeitura de Porto Alegre, pra apoiar. Mas aí, o Exército foi mais rude”, explica Klöckner.

“Segunda Legalidade – Registros Históricos e Jornalísticos” começou a ser produzido em 2010. Dez alunos dos cursos de Jornalismo e História da PUCRS participaram do projeto, fazendo pesquisas. O livro é divido em cinco capítulos, escritos por Luciano Aronne de Abreu, Charles Monteiro, Daniela Reis, Luciano Aronne de Abreu, Luciano Klöckner e Franciely Brites, aluna de graduação em Jornalismo na Famecos. A obra também conta com uma pesquisa, em cima de recortes dos principais jornais da época e um Dvd com depoimentos de testemunhas.

Texto: Gabriel Gonçalves (3º semestre)
Foto: Francielly Brites