Manifestantes pró e contra Dilma acampam em Porto Alegre

Favoráveis ao impeachment acampam no Parcão, enquanto defensores do governo se concentram na Praça da Matriz

  • Por: Caio Escobar (3º sem) | Foto: Sara Santiago (3º sem) e Fernanda Lima (3º sem) | 13/04/2016 | 0

thumb_IMG_0100_1024O acampamento é a forma de manifestação comum aos dois grupos políticos que, em Porto Alegre, defendem ou são contrários ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. Com a proximidade da votação do processo na Câmara dos Deputados, cujo o início está previsto para domingo, dia 17, crescem os grupos que se estabelecem em praça e parque da Capital.

_MG_0030Localizado no Parque Moinhos de Vento, o “Acampamento Sérgio Moro” defende o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Na tarde da terça feira, 12 de abril, somente quatro pessoas encontravam-se no local. O empresário Jorge Colares, de 54 anos era um deles. Prefeito eleito do acampamento, administra as doações recebidas e a organização do local. Segundo ele, o principal objetivo do acampamento é demonstrar a insatisfação da população em relação a atual situação brasileira. Compara a Operação Lava Jato a Operação Mãos Limpas (essa investigação descobriu uma rede de cobrança de propinas na Itália; levou pelo menos 3.000 pessoas à cadeia e investigou cerca de 500 parlamentares, empresários e seis primeiros-ministros).

Colares criticou a nomeação do ex-presidente Lula para ministro da Casa Civil, considerando um deboche para a população, enquanto vê o juiz Sérgio Moro como um herói da atual história brasileira. Perguntado sobre o posicionamento dos acampados frente ao processo de impeachment e, se aprovado este, o grupo daria apoio a Michel Temer como presidente, ele demonstrou irritação. Enfatizou que o movimento é contra a corrupção, independente de partido, que “o país se acostumou a ser corrupto, as pessoas acostumaram-se com uma mentalidade moral distorcida e a forma comunista de conduzir o país está distorcendo as mentes das pessoas”.

_MG_0082Na Praça da Matriz, no Centro Histórico da cidade, encontra-se o “Acampamento da Legalidade e da Democracia”. Em comparação ao outro, apresenta uma estrutura bem maior e a representação de vários movimentos sociais, como a Central Única dos Trabalhadores, o Centro dos Professores do Estado, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, o Movimento dos Sem Terra, entre outros. Não tem como única proposta a “luta contra o golpe”, como caracterizou Sílvia Reis Marques, da direção nacional do MST. Segundo Sílvia, há “uma tentativa da burguesia de retirar inúmeros direitos dos trabalhadores, visando desmobilizar a classe”.

Outro representação presente é a Marcha Mundial das Mulheres, que se uniu ao Comitê de Mulheres contra o Golpe e pela Democracia. Maria do Carmo Bittencourt, integrante de ambos os movimentos, considera que a presidente Dilma já sofre violência sexista desde o primeiro mandato, mas isso tem aumentado muito após a ultima campanha eleitoral. Utilizando exemplos como o do “adesivo misógino incitador ao estupro que mostra a cara da presidente”, explica que é inaceitável conviver naturalmente com coisas desse tipo, as quais afetam todas as mulheres.

thumb_IMG_0126_1024No mesmo acampamento, mais especificamente em frente à Assembleia Legislativa do Estado, uma reivindicação distinta está exposta. A Frente Nacional em Defesa dos Territórios Quilombolas e a Organização para Libertação do Povo Negro, representados pelo advogado e membro Onir de Araújo,  protestam contra ao projeto de lei 31 de 2015, do deputado, que curiosamente também é agricultor, Elton Weber (PSB). Esse projeto proíbe a demarcação de terras indígenas e quilombolas quando dedicadas à pequena agricultura familiar no Estado do Rio Grande do Sul.

A votação sobre a PL-31 ocorreria em 5 de abril, mas foi adiada para a dia 12 e novamente transferida para, provavelmente, o dia 19 deste mês.