Mercado de Notícias é de quem primeiro publica, não da qualidade

Com a expansão da internet, as mídias se multiplicaram e a competição pela divulgação da informação aumentou. Hoje a disputa entre os meios de comunicação é por quem publica primeiro e não pela informação de melhor qualidade.

Com este entendimento, na terça-feira (26/08), foi encerrado a sessão comentada promovida pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SINDJORS) do filme Mercado de Notícias do cineasta Jorge Furtado, em exibição nos cinemas. O documentário foi exibido no Cinebancários e o debate contou com a participação do diretor Jorge Furtado (direta na foto), do professor de fotojornalismo da PUCRS Elson Sempé Pedroso (esquerda), de Clóvis Victória Jr. (centro), do Sindicato dos Bancários, e do responsável pela montagem do filme, Giba Assis Brasil. O Mercado de Notícias é uma peça de teatro, na qual Furtado se baseou para gravar, encenada pela primeira vez em 1626.

Trata-se de uma crítica bem humorada sobre a informação, que já se tornou produto no início do século XVII. Furtado entrevistou vários jornalistas para refletir mais sobre as transformações neste comércio da informação, apresentadas no longa metragem.

Ao ser questionado sobre o imediatismo e a figura hoje do repórter multimídia, o diretor opinou que a multiplicidade de tarefas pode fazer com que nenhuma seja bem realizada. Usou o a morte do candidato Eduardo Campos, ocorrido em acidente aéreo em 13 de agosto último, como exemplo. Logo que souberam da queda do avião, todos os veículos queriam publicar correndo a notícia. “Não apuraram quase nada de informação: a família estava junto? Não estava? Quem estava no avião? Não custava esperar meia hora para publicar um negócio decente”, comentou Furtado.

Sobre a veracidade dos fatos noticiados, Giba falou sobre a bolinha de papel atirada no politico José Serra, em 2010. Uma das imagens usadas no documentário precisaram ser compradas da emissora Band. “Eles só tinham uns dois segundos desse momento. Em nenhuma outra gravação deu para ver quem era. Mas em uma tomada geral, pode-se identificar um homem negro, de camisa azul e manga comprida. Se a gente tratar a imagem com brilho e contraste, o cara fica parecido com um dos seguranças. Mesmo com 99% de certeza, deve-se publicar?”, questionou Giba.

Dos jornalistas entrevistados, todos disseram que uma notícia só pode ser exposta se o profissional tiver total certeza sobre o acontecimento. Mesmo assim, todos concordaram que isso não acontece como deveria ser.

Texto e foto: Raphael Seabra (6º semestre)