Mercado Público de Porto Alegre reabre as portas após mais de um mês fechado

O Mercado Público de Porto Alegre reabriu suas portas, nesta terça-feira (13 de agosto), com a presença de grande número de clientes, além das muitos funcionários que voltaram ao trabalho após terem ficado 38 dias parados. Na reabertura das bancas, os permissionários contabilizavam o prejuízo por causa do fechamento forçado pelo incêndio ocorrido no início de julho. Este é o caso de Roberson Groff, da banca 16, Rancho do Gaúcho, que procurou ajuda na prefeitura para amenizar seus prejuízos. “Nós tentamos o recebimento do seguro desemprego para os que tiveram danos, mas não foi possível, pois só se pode receber esse beneficio após ficar 60 dias parado”. Entretanto Groff ressalta que foram oferecidos empréstimos com juros menores por parte do Banrisul para aliviar os danos causados pelo incêndio.

Audioguia propõe roteiro pelo Mercado

No período em que o Mercado ficou fechado, muitos funcionários tiveram que permanecer em casa. Douglas Viana que trabalha na tenda Frutas Verduras relatou ter ficado a maioria dos dias parados em sua residência, com exceção de quando foi ajudar na limpeza do ponto de venda. Mesmo de férias forçadas, Viana conseguiu se manter, nestes 38 dias, graças a ajuda da sua mulher que também tem renda. Outros funcionários continuaram em atividade como Adroaldo Santos, da mesma banca, que passou o período em que o Mercado esteve fechado fazendo pequenos serviços em Canoas, pois, segundo ele, não é uma pessoa de ficar parada.

Leandro Silva da Silva, da Peixaria Rainha do Mar, também continuou na ativa trabalhando no depósito da empresa situado na Ilha da Pintada. “Nós ficávamos trabalhando, pela manhã, todos esse dias ”, afirmou. O mesmo ocorreu com Bibiana Andrade, uma das gerentes da Temaqueria Japesca. A maioria dos funcionários receberam férias antecipadas, outros foram realocados para o restaurante da avenida Siqueira Campos, caso da Bibiana.
Além da grande animação dos funcionários com a reabertura do Mercado Público, a alegria também era visível no semblante dos freqüentadores mais assíduos do local. Rogerio Fossati, de 83 anos, que se define como “um rato de supermercado” ao ponto de fazer compras no estabelecimento pelo menos duas vezes por semana, comentou que o incêndio foi doloroso e que considerava a reabertura sensacional.

Entre os permissionários do Mercado havia também aqueles que enfrentaram o seu segundo incêndio, como o dono da Barbearia Central, Carlos Genessi, que está no local há 39 anos. Ele conta que seus danos foram maiores no incêndio de 1979, embora, na visão dele, o último acidente foi pior do que o de 1979. “Esse incêndio foi pior, pois pegou a área perto da Borges de Medeiros, mas mesmo assim tive menos prejuízos do que no incêndio anterior”. Além disso, Genessi espera o retorno de seus antigos clientes, pois alguns passaram a freqüentar outros lugares devido ao fechamento da barbearia.

Quem também fez questão de comparecer à reinauguração do Mercado foi o vice-prefeito Sebastião Melo (PMDB). Ele explicou que a reabertura das lojas mais atingidas depende das obras de recuperação que levarão por volta de 10 meses. “Nossos objetivos, agora, são arrumar a cobertura, para acabar com as infiltrações, e a possível construção uma caixa da água subterrânea de 15 mil metros, debaixo do Largo Gênio Peres, para ajudar na prevenção a futuros incêndios”.

As instalações do segundo andar menos atingidas pelo fogo poderão reabrir dentro de 20 dias, segundo Felipe Delfino, assistente da Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic). “Existem várias perícias sendo feitas pelas seguradoras das lojas para se chegar ao valor total dos prejuízos, mas ainda não se tem um número definido”. Quanto às próximas medidas a serem tomadas, Delfino assegura que uma delas é verificar se as lojas da parte debaixo na avenida Julio de Castilho abrirão e debater como será feito a vedação para estancar vazamentos encontrados em algumas lojas.

Texto e fotos: João Pedro Arroque Lopes (5º semestre) e Augusto Lerner Krieger (3º semestre)