Mídia NINJA lança rede social de notícias

A Mídia NINJA está de casa nova. O coletivo de repórteres amadores, que ganhou notoriedade na cobertura dos protestos do ano passado, lançou no dia 10 de junho uma rede social de produção e distribuição de notícias, no endereço midianinja.org. O projeto envolve colaboração com o Oximity, site alemão cujos gestores descobriram sobre o trabalho dos mídia-ativistas brasileiros por uma reportagem do jornal The Guardian. Antes, o conteúdo era publicado no Facebook e num weblog hospedado no serviço Tumblr.

Segundo Felipe Altenfelder, um dos fundadores da Mídia NINJA, uma das preocupações na criação do site foi o apuro estético que caracteriza o movimento. O design dá destaque à produção de fotos e vídeos. O conteúdo é produzido por colaboradores, que podem se cadastrar pela rede social. Além da capa, editada pelos organizadores do projeto, cada usuário tem a sua própria página reunindo a própria produção. O site permite que os colaboradores traduzam os textos de outros autores para diversas línguas. Também existe a opção de tradução automática.

Além de contar com o apoio da estrutura do Fora do Eixo, o portal da Mídia NINJA está aberto a doações através do PayPal. Segundo Altenfelder, no futuro também será possível fazer doações diretamente para a conta dos usuários, sustentando o trabalho das coberturas.

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Altenfender acredita que os colaboradores da Mídia NINJA não trabalham somente como jornalistas, mas como “narradores de micro-lutas”. Ele destaca o papel de ativismo do coletivo, que, segundo ele, é ao mesmo tempo um veículo, uma rede e um movimento.

O lançamento da rede social coincide com o início da Copa do Mundo e a expectativa de novos protestos. Altenfender, particularmente, não acredita que a maioria dos movimentos sociais tem como objetivo impedir a realização do evento. Segundo ele, existe um espectro amplo de atores sociais se utilizando da Copa para dar visibilidade às suas lutas. O fundador do coletivo também citou os elogios da imprensa alemã à postura crítica de veículos brasileiros em relação à FIFA.

Texto: Victor Rypl (8º semestre)