Militantes acusam inquérito de ser político

Uma investigação com a apreensão de material desta forma não acontecia desde a ditadura militar. Com este sentimento de indignação, o estudante e militante político Matheus Gomes reagiu à ação policial no seu apartamento na terça-feira, 30 de setembro. Na ocasião, policias entraram na casa dele e de outros integrantes do Bloco de Lutas pelo Transporte Público, coletivo que participou ativamente das manifestações de rua, em junho e julho último, em Porto Alegre, apreendendo computadores, livros, entre outros objetos.

Para o membro do coletivo Juntos! e do PSOL, Lucas Boni Maróstica, também objeto da mesma ação policial, o que aconteceu foi um ato de perseguição ideológica. “A gente não sabe por que o governo me acusou de formação de quadrilha, justamente eu que sempre fui de cara aberta nos protestos de junho”, reclamou.

Maróstica disse que foi pego de surpresa pela ação, pois na ocasião estava no aeroporto de Confins em Minas Gerais, quando a diarista que trabalha na sua casa ligou dizendo que havia policias na porta de seu apartamento tentando entrar. Imediatamente, ele ligou para o advogado do PSOL na Câmara Municipal que, junto com a vereadora Fernanda Melchionna, foram até a sua residência para acompanhar a vistoria da polícia. “Eu tinha uma pilha na estante cheia de materiais, mas agora metade deles se foi”, esbravejou o ativista político e estudante de Ciências Sociais. Maróstica acrescentou que, além de seu computador, foram levados panfletos, livros e adesivos sobre o transporte público. Como reação, o PSOL vai realizar plenárias para discutir o que fazer. O estudante espera que os responsáveis pela ação sejam identificados e punidos.

Matheus Gomes, militante do PSTU, que estava no apartamento quando os policiais chegaram, classifica a situação de “completamente lamentável, isso não acontecia desde a ditadura militar”. Foram recolhidos pelos policiais panfletos, cadernos, fichas de filiação e até uma cópia da introdução a teoria marxista. Mateus acredita que essa medida foi motivada pelo fato de o Bloco de Lutas pelo Transporte Público, do qual faz parte, estar incomodando o governo estadual e os empresários. “O governo está tentando transformar em quadrilha nós que apenas pedimos mais direitos nas ruas”. Quanto às medidas a serem tomadas, Mateus comenta que a primeira delas foi a visita da militante do PSTU Vera Guasso ao governador Tarso Genro, quando reclamou do ocorrido. “Vamos fazer mobilizações contra a criminalização dos movimentos sociais, assim como ocorre no Rio de Janeiro”, acrescentou o militante.

Inquérito legítimo

Em resposta as reclamações, o governador Tarso Genro afirmou que o inquérito era legitimo. “Este é um estado democrático, de direito e por isso não houve intervenção do governo para direcionar o inquérito”, explicou o governador ressaltando a necessidade de se diferenciar as ações típicas da militância das de depredação. O delegado responsável pelo inquérito policial sobre as manifestações ocorridas no Centro Histórico de Porto Alegre, Marco Antônio de Souza fez questão de esclarecer que não foi e nem será aprendido nenhum material de cunho ideológico. O delegado enfatizou que o conteúdo dos impressos apreendidos não importa para a polícia, pois hoje são priorizados fotografias (dos eventos), em vez de documentos.

Texto: João Pedro Arroque Lopes (5º semestre)