Mobilização pelo jornalismo livre na Famecos

Em solidariedade ao jornalista Matheus Chaparini e outros que sofreram agressões, profissionais e estudantes protestam contra a censura e violência

  • Por: Sofia Lungui (1º sem.) | Foto: Juliana Baratojo (5º sem.) | 30/06/2016 | 0

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Ato de solidariedade e desagravo ao jornalista Matheus Chaparini, do Jornal JÁ, preso ao realizar uma reportagem, mobilizou profissionais e estudantes na terça-feira (28), na Faculdade de Comunicação Social da PUCRS (Famecos). Organizado pela coordenação do curso de Jornalismo, o ato teve o objetivo de defender o jornalismo livre de violência e arbitrariedade, como ocorreu com Chaparini, preso no dia 15 de junho, pela Brigada Militar, junto com manifestantes e o cinegrafista Kevin Darc, enquanto cobria a desocupação da Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul (Sefaz-RS).

O saguão da faculdade ficou lotado de estudantes, ex-alunos, professores e representantes da categoria jornalística. Entre eles, o editor-chefe do Jornal JÁ, Elmar Bones da Costa, o jornalista Matheus Chaparini, o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS (Sindijor-RS), Milton Simas Júnior e um representante da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RS, Rodrigo Rosa. Da Famecos, estavam presentes João Guilherme Barone, diretor da faculdade, Fábian Chelkanoff, coordenador do curso de Jornalismo, os professores Marcelo Träsel, representando a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Celso Augusto Schröder, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e da Federación de Periodistas de América Latina y el Caribe (FEPALC), mais Luiz Antônio Araújo, Juremir Machado da Silva e Luiz Adolfo Lino de Souza. A estudante Joana Berwanger representou a diretoria do Centro Acadêmico Arlindo Pasqualini da Famecos (CAAP).

O evento foi uma maneira de lançar uma campanha pelo fim da prisão e dos ataques aos jornalistas, defendendo o livre exercício do jornalismo. O professor Fábian pediu a todos que divulguem nas redes três hashtags: “#JornalismoLivre”, “#JornalistasSemGrades” e “#ÉSóOcomeço”. “A gente sabe muito bem que quando o jornalismo é cerceado quem perde é a sociedade, porque a democracia se vai. Somos nós temos que cobrar, mostrar o que está acontecendo. Não podemos esperar que um político ou outro profissional informe a população”, afirmou o coordenador.

Durante a manifestação, Elmar Bones criticou a falta de transparência do governo do Estado, afirmando que a presença dos jornalistas no local das notícias é imprescindível em um veículo como o JÁ. “Apesar da ditadura ter acabado, nós temos grande dificuldade de acesso às informações do poder público, diariamente”, revelou. Chaparini completou, em sua fala: “Desde o primeiro dia da ocupação das escolas eu estava lá, do lado de dentro, sempre conversando com os estudantes. Sempre buscamos a notícia, e era isso que eu buscava naquele dia na Sefaz, e pretendo continuar o fazendo”.

_MG_3395Em entrevista, Chaparini destacou que o caso dele não é isolado, e citou outros episódios recentes. “Se não houver uma resposta por parte dos jornalistas e da sociedade, isso vai se tornar uma coisa normal e cotidiana, se prender jornalistas em pleno exercício profissional”, argumentou. Entre os crimes pelos quais está sendo acusado, estão esbulho possessório, dano qualificado ao patrimônio, resistência, associação criminosa e corrupção de menores.

Celso Schröder avaliou como ilegal, nefasta e imoral a ação da BM. “Esta ação representa uma história de resistência de setores que não conseguem conviver com a liberdade de imprensa e de expressão. Não conseguem viver com o papel que a imprensa tem de exercer, que é de trazer a público aquilo que é de interesse público, mesmo que os interesses privados sejam contrários”, ressaltou. “Os jornalistas deixaram de ser protegidos por suas credenciais, e passaram a ser alvos por conta disso”.

Joana Berwanger acredita que temas como este devem ser trazidos para dentro da faculdade. “É necessário que os estudantes saibam que isso não pode acontecer. Temos que ter noção de que os nossos direitos e que a imprensa é livre, que devemos exercer a nossa profissão sem que o governo nos intimide”, contou em entrevista.

Em ato simbólico no fim do evento, foram feitos 15 segundos de silêncio em solidariedade aos jornalistas cujo trabalho foi bloqueado, de alguma forma. Fábian convidou todos os presentes a levantarem a bandeira pelo jornalismo livre e sem censura. Ele divulgou o pedido de audiência pública que será encaminhado ao governador do Estado, para que os jornalistas sejam ouvidos e Chaparini, anistiado. O ato terminou ao som da sentença “Jornalismo não é crime, anistia ao Chaparini”.