Moradores fazem pressão pela saída de manifestantes da Praça da Matriz

Após três meses de acampamento na Praça da Matriz, cresce a pressão para que o movimento Ocupa POA deixe a área junto aos três poderes – o Palácio Piratini, sede do Executivo estadual, a Assembleia Legislativa e o Palácio da Justiça. As principais reclamações dos moradores do entorno da Praça são a sujeira e o bloqueio dos espaços públicos, impedindo-os de frequentá-los.

O Ocupa POA é um grupo de aproximadamente 30 pessoas que integra um movimento com similares em diversas partes do mundo, para lutar por pautas em comum, como a retirada das tropas americanas do Iraque, além de reformas na área da saúde e da educação. Cerca de 10 integrantes dormem em barracas no local diariamente.

O Ocupa POA alega fazer a limpeza do local e desafia o secretário municipal de Meio Ambiente, Luiz Fernando Záchia, a dialogar com todos os integrantes do grupo. Zachia havia convocado representantes para tratar da saída em uma reunião no último dia 23, mas o grupo se recusou a eleger uma comissão para as negociações.

Os manifestantes dizem que só sairão quando os problemas que originaram o protesto forem resolvidos. Por saberem que o alcance dos objetivos dificilmente acontecerá, acreditam que serão retirados à força. “Se nós nos negarmos a sair, a polícia entra em choque, vai ter conflito”, disse Alfeu, um dos participantes, que não quis revelar seu sobrenome. Quando perguntado pra onde iriam, preferiu manter em segredo, afirmando que o grupo não acabará.

Alfeu explicou a forma de agir de acordo com o princípio de horizontalidade que o movimento adota, e por isso insistiu para que a entrevista fosse com todo o grupo. Além disso, não há cobrança de tarefas, nem divisão organizada do trabalho. Cada integrante faz a sua parte, sem pressões e com conscientização, segundo ele.

Para Alfeu, o que vale é o contato com a população, passar seu conhecimento sobre as diversas causas que defendem. “Pra mim, como indivíduo, acho que a maior arma de mudança é o diálogo que temos com a sociedade. Se expandir a mente de uma só pessoa já está valendo”, completa.

Texto: Muriell Custódio, Anahís Vargas e Dimitria Puchnow

Fotos: Priscila Leal