Morte de Eduardo Fösch completa dois anos sem explicação para a família

  • Por: Muriell Custódio (7º semestre) | Foto: Jussara Fösch (Arquivo pessoal) | 20/05/2015 | 0
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Eduardo Fösh (Arquivo pessoal)

No dia 6 de maio, completaram-se dois anos desde que Eduardo Vinícius Fösch dos Santos, de 17 anos, morreu. Em 27 de abril de 2013, o garoto foi a uma festa com os amigos no condomínio Jardim do Sol, na Zona Sul de Porto Alegre e no dia seguinte, foi encontrado no pátio vizinho em estado inconsciente. De acordo com a Polícia Civil, Eduardo havia caído e, em função da altura, sofrido contusões e vindo a óbito após nove dias em coma.

Os pais do garoto não acreditaram nessa versão dos acontecimentos e, com um laudo pericial, contratado pela família, uma nova versão foi apresentada: que Eduardo tenha sido assassinado. O único garoto negro da festa fora assassinado. Segundo a perícia, seu corpo apresentava sinais de que teria havido uma briga corporal e a conclusão técnica, através da análise de fotografias, é a de que o jovem teria sido jogado no local onde foi encontrado já inconsciente.

No início, houve hesitação por parte da justiça para que o caso fosse investigado novamente. Até hoje ainda não se chegou a uma conclusão. “Queremos que isso seja investigado, nem que seja para dizer que certamente foi um acidente. Deixaram 150 adolescentes sem um responsável e nem isso a delegacia investigou”, comentou a advogada do caso, Lesliey Gonsales.

Quando o ocorrido completou um ano, a mãe de Eduardo, a bancária Jussara Regina Fösch, publicou um desabafo em seu perfil no Facebook, exigindo esclarecimentos a respeito da morte de seu único filho, no qual expressa a suspeita de que o crime tenha como motivação o racismo:

Haviam 3 seguranças e 160 convidados, ninguém naquela festa socorreu nosso filho.
DUDU teve lesão cerebral gravíssima e veio a falecer no dia 06/05/2013.
Sim queremos Justiça, queremos saber:
Quem é o assassino desta criança negra?
Um convidado da festa?
Um segurança do condomínio ou um segurança da festa?
Um morador do condomínio? 
Alguém rico, alguém poderoso, um branco?
Por quê mataram nosso filho?

Depois de passar pelas mãos de pelo menos dois promotores, o inquérito foi para os cuidados da promotora há sete meses e parece estagnado. No dia 14 de abril, uma manifestação para chamar a atenção de volta para o caso foi realizada em frente à Assembleia Legislativa e ao Palácio Piratini e estrangulou o trânsito na Rua Duque de Caxias. A família entregou ao Deputado Catarina Paladini, Presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, um pedido para acompanhar o inquérito que apura responsabilidades pela morte do rapaz. Até agora nenhuma resposta foi dada.

Após dois anos da morte de Eduardo, a família não consegue encontrar sossego e exige respostas. “Não tem como uma criança entrar em uma festa, em uma casa de família, sair praticamente morta e não saberem o que aconteceu. Não tem como aceitarmos isso”, desabafa Jussara. “Eu quero saber a verdade. Quero saber quem matou meu filho e por que matou meu filho. Se o motivo é preconceito, descontrole emocional, bebida ou outro que eu desconheço, preciso saber”, apela a mãe de Eduardo.