Muda Tristeza era apenas campanha do Setembro Amarelo

Suposta mudança de nome do bairro foi pretexto para debater a prevenção ao suicídio. Iniciativa surpreendeu moradores da Zona Sul de Porto Alegre

  • Por: Igor Janczura Dreher (2° sem.) | 11/09/2016 | 0
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Imagem: Divulgação

“Precisamos falar sobre a Tristeza” era o apelo que o grupo Muda Tristeza fazia convocando, pelo Facebook, para o evento no dia 10 de setembro, na praça Comendador Souza Gomes no bairro Tristeza, Zona Sul de Porto Alegre. Entendendo que a iniciativa visava alterar o nome do bairro, moradores reagiram com comentários desaprovando a ideia e se organizavam para o combate na reunião de sábado.

Quando chegaram à praça do evento perceberam que o amarelo predominava na decoração e os cartazes remetiam à campanha do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio e ao número 188 do Centro de Valorização da Vida (CVV) do Rio Grande do Sul, que atende quem busca ajuda.

Desde que o evento foi marcado, boatos surgiram no bairro agitando os moradores que se perguntavam “quem queria alterar o nome da Tristeza?” Suspeitavam que poderia ser uma construtora, contou Keli Cardoso, de 48 anos, que lá reside desde os oito anos de idade. O clima era de desconfiança, embora na quinta-feira, dia 8, já circulassem boatos de que o evento era uma farsa, que poderia ser alguma campanha publicitária.

Liziane Eberle, coordenadora da CVV em Porto Alegre, disse que só ficou sabendo do real motivo do evento 10 dias antes. “Nunca houve a ideia de se mudar o nome, foi tudo um mote.”

A surpresa não agradou muito a moradora Vera Maria, de 71 anos. Segundo ela, o bairro é local de “muita gente influente” que não estava “nada satisfeita” com a ideia da mudança e medidas seriam providenciadas caso alguém tentasse alterar.

Por volta das 11 horas, no palco central da praça, foi sanada a dúvida que tanto afligiu os moradores. Não haveriam votações para nada.  Alberto Freitas, representando a agência de publicidade que criou o evento, primeiramente pediu desculpas pelo transtorno causado pela ideia dúbia. O prefeito José Fortunati defendeu a importância da conscientização e da prevenção do suicídio. Argumentou que os dados mostram o Rio Grande do Sul como o estado com maior número de suicídios do país.

O Brasil, atualmente ocupa o oitavo lugar no ranking de índices de mortes derivadas deste ato. Uma pessoa tira a vida a cada 45 minutos em território nacional , segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ainda, segundo o órgão, esse número abrevia-se para 40 segundos no mundo, totalizando um montante de 800 000 mortes por ano.

Os discursos na praça Comendador Souza Gomes foram encerrados com o depoimento de Flávio Sanches, presidente da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS). Ele citou algumas informações médicas, como as doenças vinculadas a esse tipo de comportamento (depressão, esquizofrenia e bipolaridade) e esperançoso disse: “Outra vez é primavera nos meus versos. Então, outra vez pode ser primavera aqui também.”