Muitas mãos decidem qual livro sai da “fábrica”

Pedro Bandeira na obra “O Mistério da Fábrica de Livros” mostrou o processo para fazer um livro pode ser complicado. O que o autor não explicou é como as editoras escolhem o que irão publicar ou rejeitar. Como um editor de jornal que escolhe as notícias que serão publicadas, existem profissionais que têm a missão de dar oportunidade às novas criações e autores, bem como acabar, por um instante que seja com essa possibilidade. Para entender os critérios é preciso conhecer dois tipos de editoras: as que financiam os livros e as que o autor paga para fazer.

Quando o escritor paga para adquirir o serviço de edição não encontra critérios tão rígidos. Quando a empresa fornece todo o custeio para realizar o trabalho algumas medidas são tomadas. Esse é o caso da editora Artes e Ofícios, que leva, no mínimo, um ano para responder ao autor. A empresa busca, primeiramente, trabalhar com escritores que já conhece. Não há livros descartados apenas pelo título ou gênero, entretanto, acreditam que obras religiosas e empresariais são mais difíceis para publicar. Até serem aprovados, os originais, texto “cru” criado pelo escritor, são lidos e relidos por várias pessoas. Nessas editoras a renda vem após a finalização da obra, com a cobrança de alguma porcentagem do lucro dos livros vendidos.

O Grupo A possui como padrão o envio de material protocolado e que retorna em 90 dias com uma carta de explicação pela aceitação ou rejeição. Entretanto, a empresa produz apenas sobre educação. O mesmo ocorre nas editoras pertencentes a universidades, como PUCRS e UFRGS. Apenas professores das instituições de ensino podem publicar, mesmo assim as obras são analisadas por um comitê especializado e composto por professores de português e literatura. Por ser governamental, a editora da UFRGS não visa lucros, distribuindo 10% do total de obras para o escritor vender, doar ou fazer o que desejar.

Nas empresas que cobram para fazer o material, há exigências, mesmo que pequenas. No comando da AGE, o professor de português Flávio Ledur não aceita textos mal escritos. Na Letra e Vida, o professor Antônio Suliani reescreve textos quando observa erros de português, enquanto o professor Ledur não aceita material com muitos erros.

Trabalhando com os dois formatos de financiamentos dependendo do gênero, a Leitura XXI edita apenas livros pré-vestibulares que são avaliados pelos professores Sergius Gonzaga e Pedro Gonzaga. Os autores de livros de história geralmente pagam para a editora fazer, enquanto nas outras matérias, como português e literatura, a própria editora financia.

Na Editora Movimento, mesmo que o autor forneça a quantia necessária, o professor Carlos Appel se recusa a fazer quando, na sua avaliação, o material não tem a qualidade do selo (da editora).

Depois da seleção criteriosa, as editoras mantém contato direto com os autores para revisão e o melhoramento possível. Atualmente, pode-se, também, escolher se as obras serão publicadas no formato impresso, e-book ou nos dois. O resultado final pode ser visto na 60ª Feira do Livro de Porto Alegre, que ocorre até o dia 16 de novembro. O evento conta com diversos estandes, inclusive, das editoras do Rio Grande do Sul.

Texto: Patrícia Lapuente (6º semestre)
Foto: Caroline Ferraz (7º semestre)