Mulheres são 35% do quadro de funcionários da Susepe

Agentes das penitenciárias querem igualdade na distribuição de cargos e reconhecimento de seu trabalho

Texto e foto: Roberta Requia (1º sem.)

Primeiro Seminario pela visibilidade das servidoras penitenciarias do RS
Primeiro Seminário pela visibilidade das servidoras penitenciárias do RS

O quadro de servidores da Superintendência dos Serviços Penitenciários do Estado (Susepe) é integrado por 35% de mulheres. Portanto, “nós não somos invisíveis”, destacou Karen Schivitz, psicóloga da Susepe há 15 anos, no 1º Seminário para as Mulheres do Sistema Prisional do RS, que ocorreu no Plenarinho da Assembleia Legislativa, na sexta-feira (16/9). “Nós temos que ter representatividade, voz ativa. Temos uma superintendente mulher, o que já é uma grande coisa. Mas, precisamos ter políticas voltadas para nós, enquanto servidoras”, argumentou a psicóloga.

A Associação dos Monitores e Agentes Penitenciários do Rio Grande do Sul (Amapergs) promoveu, em 16 de setembro, o seminário como objetivo de unir, organizar e dar visibilidade às servidoras penitenciárias do Estado e abrir um grande espaço de discussão para saber como as mulheres do sistema veem as questões de gênero implicadas no dia a dia de trabalho.

O evento reuniu mais de 70 participantes de diversas penitenciárias do estado e contou com a presença de palestrantes como o vice presidente da Amapergs, Cláudio Fernandes, a presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Rio Grande do Norte, Vilma Batista, e uma representante do Ministério da Justiça e do (Departamento Penitenciário, Renata Preturlan. Os temas das palestras eram voltados totalmente para a problematização e discussão do espaço da mulher nas penitenciárias, como os desafios de mulheres na gestão prisional e as lutas e conquistas no mercado de trabalho.

Uma das principais reivindicações das servidoras é a melhor representatividade na distribuição das vagas nos cargos de comando, já que mesmo tendo uma mulher no cargo da superintendência, isso não repercute nas outras áreas. “Seja chefe de segurança, diretora de departamento, queremos que essas vagas sejam melhor distribuídas nos cargos de chefia também”, completa Karen, psicóloga, advogada e mestra em Ciências Criminais.

Dentre as questões mais discutidas e reivindicadas estão a maior paridade na promoção de homens e mulheres, valorização e reconhecimento no local de trabalho, porte de arma para todas as categorias e atendimento psicológico efetivo. Uma das ideias surgidas durante o seminário foi a promoção de encontros chamados Café e Afeto, que seriam realizados em cada presídio uma vez por semana, para uma roda de conversa feminina que proporcione acolhimento entre as colegas.

“Nós sofremos muito com todas essas questões discutidas apenas em pequenas conversas entre colegas, mas isso não é trazido para um público maior, para uma grande discussão. O seminário tem como objetivo formar um grande grupo e trazer essa discussão para saber como as colegas se sentem nas questões de gênero no nosso trabalho” acrescenta Marili Antunes, agente penitenciária há 15 anos, tecnóloga em segurança prisional, especialista em segurança pública, cidadania e diversidade.