Municipários convocam assembleia de servidores de Porto Alegre

Simpa mobiliza funcionários municipais para reagir às medidas anunciadas pelo prefeito que atingem a categoria

  • Por: Gabriel Bandeira (3° semestre) | Foto: Roberta Requia (2° semestre) | 03/04/2017 | 0
33726283975_328599298b_z
Alunos e professores protestam em frente a Prefeitura da Capital

 

Os servidores municipais de Porto Alegre estão sendo convocados para uma assembleia, agendada para o dia 11 de abril, pelo Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa). Assessorado pelo Departamento Intersindical Estadual de Estudos Socioeconômicos (Dieese), o Simpa pretende criar um documento com a análise das finanças da Prefeitura e reivindicar alterações na data base, a fim de conseguir mais valorização salarial.

Segundo a atual gestão da prefeitura, o município enfrenta um déficit de R$ 859 milhões. Mas o diretor-geral do Simpa, Jonas Reis, argumenta que os cálculos estão errados: “Os dados do Marchezan criam um factóide, é mentiroso. Ele diz haver um déficit de R$ 859 milhões, sendo que o município apresentou um superávit de R$ 110 milhões em fevereiro. Havia um déficit de R$ 150 milhões em dezembro, mas ele é irrisório, natural perto do orçamento de R$ 6 bilhões da cidade”, contesta Reis. Para se contrapor aos dados apresentados pela prefeitura, os municipários têm trabalhado com o Dieese, que ajuda no estudo e análise das finanças públicas de Porto Alegre. O que o prefeito quer fazer é a política do terrorismo. Tenta criar crise para entregar as instituições à iniciativa privada”, ataca Reis, se referindo aos números apresentados.

A mobilização do Simpa se deve basicamente ao suposto déficit da prefeitura, apresentado pelo prefeito que prevê dificuldades para pagar em dia o salário dos municipários, e também às alterações já realizadas na área da educação. Em fevereiro, o prefeito Nelson Marchezan Jr. (PSDB) revogou o decreto 14.521/2014, que determinava o regime de trabalho dos professores na Capital. De acordo com as novas diretrizes, o intervalo nos turnos das escolas que antes era destinado às refeições, agora é contabilizado como horário de aula. Além disso, os períodos de aula passaram de 50 para 45 minutos, os alunos não são dispensados no horário das reuniões pedagógicas semanais e há um aumento no tempo em que o professor deve estar ensinando. As alterações estão em vigor desde o dia 6 de março.

A gestão atual da prefeitura pretende com as mudanças, em quatro anos, aumentar a proficiência dos alunos do 5º e 9º ano nas matérias de português e matemática em 80%. As novas alterações também proporcionam ao aluno 27,8% de tempo à mais com o professor, que o acompanhará durante toda  sua estadia na escola, explicam as autoridades municipais em vídeo institucional divulgado pela página da prefeitura no Facebook.

As novas diretrizes provocaram reações dos servidores que, com frequência, fazem manifestações em torno do prédio da prefeitura. Na terça-feira (28/03), aos gritos e usando apitos e tambores, pessoas de todas as idades reuniram-se, em frente ao Paço Municipal para protestar contra as novas diretrizes de Marchezan para a educação. Cerca de 100 municipários, estudantes e simpatizantes se concentraram na frente do prédio, desde às 14 horas.

Perto das 16 horas, com um número maior de manifestantes, eles começaram a cantar: “Marchezan, tu não enrola, tu quer é acabar com a nossa escola!” Acompanhando a banda, a aluna do projeto de Educação para Jovens e Adultos, Adelaide Gomes de Andrade, com mais de nove décadas de vida, apoiava o protesto batendo palmas. “Isso é um direito. E não está valendo nada. Não é pelo colégio, pelas crianças. É para todos”, constatou a estudante de 94 anos.