Municipários ocupam Câmara de Vereadores

Descontentes com as negociações, manifestantes decidiram permanecer na Casa

  • Por: Caio Escobar (4º sem.) e Alícia Porto (3º sem.) | Foto: Sara Santiago (3º sem.) | 22/06/2016 | 0

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A Câmara Municipal de Porto Alegre foi ocupada nesta terça-feira (21) pelos funcionários do município de Porto Alegre. Em greve desde o dia 14, a categoria tem como principal reivindicação que o parcelamento do reajuste anual do salário ocorra somente até o final de 2016, ou seja, no atual governo.

Pela manhã, houve uma reunião quando a proposta apresentada pela administração municipal não agradou os representantes do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa). Às 13 horas, aconteceria uma assembleia do Simpa no Parque Harmonia, para votação sobre a continuidade da greve. A categoria, no entanto, decidiu permanecer na Câmara dos Vereadores, em uma espécie de assembleia permanente.

Após reunião com o presidente da Câmara, Cassio Trogildo (PTB), foi decidido ocupar o prédio com os manifestantes lá permanecendo, no mínimo, até a reunião marcada para essa quarta-feira (22 de junho). Os municipários querem reposição integral da inflação de 9,28%, com parcelas quitadas até o final deste ano.

Na sexta-feira (17), a sede da Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc) teve suas entradas bloqueadas pelos municipários. De acordo com os manifestantes, nenhum funcionário entrou no local pela manhã. Durante a tarde, algumas faixas foram fixadas no portão da Fundação e surgiram pichações em apoio à greve na calçada. Alguns trabalhadores e representantes do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) ficaram nas entradas do prédio. Em torno das 16h, os manifestantes se deslocaram para o Paço Municipal cobrando uma negociação com uma proposta que possa circular entre a categoria.

As reivindicações têm teor político e econômico. “Estamos em um período de negociação com o governo desde o final de maio e já tivemos duas paralisações para que o governo avançasse na proposta de inflação parcelada”, explicou Leila Aparecida Cunha, diretora do Simpa e trabalhadora da Fasc.

A proposta apresentada pelo governo foi rejeitada pelos municipários na primeira reunião e levantada sem alterações na segunda. Ela previa reposição parcelada da inflação em quatro vezes, sendo a primeira, de 1%, em maio, a segunda, de 2%, em outubro, a terceira, de 2,6%, em dezembro e a última, de 3,39%, em janeiro de 2017. “Se você entra com a mesma proposta que já foi rejeitada, bom, então não há negociação”, alega um dos trabalhadores da Fundação. “Não estamos pedindo aumento real, só queremos garantir que não se desvalorize nossos salários. Nós já tivemos perdas no ano passado com o parcelamento dos salários”, completa.

Outra pauta levantada é a isonomia salarial entre os orgãos. A Fasc, por não receber nenhuma gratificação, é um dos orgãos que tem o menor nível de remuneração. Um trabalhador que estava no local explica: “Na (Secretaria da) Saúde existem gratificações, no Demhab existem gratificações, portanto um técnico de nível superior do Demhab ou da Saúde recebe mais do que um da Fasc”.

A adesão à greve é descrita como considerável pelos municipários. “Hoje nós temos 80% dos Cras (Centros de Referencia de Assistencia Social) fechados e os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) com uma boa adesão. Muitos trabalhadores da área técnica também estão aderindo”, informava Leila. A paralisação também afeta cerca de 60% das escolas municipais, parcial ou totalmente, segundo o Simpa.