Nem boa, nem má, internet se tornou indispensável

Os 20 anos da ferramenta que potencializa a comunicação mundial foram tema do 5º Encontro de Ubiquidade e Tecnologia (Ubitec)

  • Por: Amanda Fialho (7º sem) | 01/12/2015 | 0

No século XXI é quase inimaginável se viver sem tecnologia. Apesar disso, ainda são debatidas as vantagens e desvantagens da internet cujo uso comercial completa 20 anos. Para Alex Primo, professor de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pesquisador da área de cibercultura e comunicação, a tecnologia não pode ser rotulada como boa, nem como má. “Ela potencializa tanto o bem quanto o mal”, afirma Primo.

Seguindo o pensamento do especialista, a web mudou a forma como as pessoas vivem, se relacionam e até como amam, “Hoje nós não aceitamos não estar em contato frequente com a pessoa que amamos, por exemplo. Tu vais usar o Skype e vais mandar um e-mail. Quando eu estava no mestrado, em 1992, eu escrevia uma carta por dia e falava uma vez por semana no telefone”, compara o professor.

No quesito vantagens e desvantagens, Alessandro Cauduro, bacharel em ciência da computação e fundador da W3Haus, acredita que existem inúmeros benefícios como a possibilidade de conexão e a globalização da informação, porém Cauduro acredita que essa globalização cibernética pode acabar excluindo quem não tem acesso a web da sociedade.”Especialmente no Brasil, com realidades diferentes, não são todas as pessoas que podem ter fácil acesso à tecnologia”. Primo discorda e cita uma resposta do filósofo francês Pierre Lévy para a mesma hipótese, “quando se criou o alfabeto, se criou imediatamente o analfabeto. O que fazer? Por causar do analfabetismo devemos acabar com a escrita?”.

Os especialistas fazem um alerta aos internautas, não existe privacidade na internet. Ao entregar dados e informações privadas para redes sociais, como o Facebook, as pessoas assinam um contrato que permite que a empresa utilize esses dados. “Hoje é meio que uma troca isso, você sabe que eles estão utilizando os seus dados, mas eles estão te oferecendo um serviço. É uma troca. Então, tu aceitas ou não”, ressalta Cauduro. Primo tem uma opinião similar. “Nós também liberamos os nossos dados deliberadamente. Para poder acessar o Facebook, eu tenho que assinar um contrato no início onde eu digo ‘olha, estão aí os meus dados. Pega aí’”, sustenta.

Mesmo assim os dois acreditam que a web proporcionou uma avanço extraordinário em vários aspectos nas últimas duas décadas. Primo acredita que a área de pesquisas acadêmicas avançou muito com a evolução da web, “Do ponto de vista da pesquisa, foi um salto cientifico gigantesco da circulação das informações. A gente vê cada vez mais periódicos científicos abertos sem custo. As universidades, agora, estão oferecendo isso para os seus alunos e pesquisadores”, enquanto Cauduro acredita que a internet possibilitou o crescimento do empreendedorismo.” Podes ser o teu próprio negócio, como os youtubers e os blogueiros. Não é controlado por grandes corporações, tu tens o teu negócio. […] E uma pessoa sozinha consegue criar conteúdo, gravar e editar vídeos”.

Alex Primo e Alessandro Cauduro participaram da mesa Momento Ideias Abertas: A história da Internet como mídia do 5° Encontro de Ubiquidade e Tecnologia (Ubitec), promovido pelo Pós-Graduação em Comunicação Social da Famecos na sexta-feira (27/11). A edição deste ano tratou dos 20 anos da internet comercial no Brasil.