No aniversário da ditadura, ato defende democracia

Manifestantes se posicionam contra o impeachment da atual presidenta, ato que consideram um golpe

  • Por: Analine Broniczack (4º sem.) | Foto: Annie Castro (4º sem.) | 01/04/2016 | 0

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“Esse comício no dia em que a ditadura, em 1964, instalou o golpe militar é para nós, a reafirmação da democracia. Nós não vamos permitir o golpe”. Assim, a deputada federal Maria do Rosário (PT/RS) resumiu as intenções do ato realizado na Esquina Democrática, em Porto Alegre, na sexta-feira (31). O ato promovido pela Frente Brasil sem Medo e Frente Brasil Popular contou com representantes dos sindicatos, movimentos sociais, parlamentares e apoiadores do movimento contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Com inúmeros cartazes criticando a mídia tradicional, os manifestantes gritavam: “a verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura”. “A mídia, lamentavelmente, a grande imprensa, repete o papel que cumpria em 64. Rede Globo, Estadão, Folha de São Paulo são veículos que nesse momento estão ajudando a articular e liderar o golpe. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) gastou R$ 10 milhões em publicidade nesses veículos a favor do impeachment”, argumentou Lucas Maróstica, militante politico.

Para Benedito Tadeu César, diretor presidente do Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais (Inpro), não se fará nenhuma reforma política no país, se não for limitado o poder da mídia corporativa. “Em qualquer país democrático do mundo existe legislação, órgãos, controle democrático da mídia. Essa história de que o controle da mídia é cerceamento da liberdade de manipulação é balela, isso é defesa do direito do exercício de poder aos proprietários das grandes mídias, que são concessionários de um serviço público e que devem se submeter à vontade popular”, afirmou César.

_MG_9361Outra crítica preponderante nos discursos dos oradores que ocuparam o carro de som foi dirigida aos parlamentares do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), com foco principal em Eduardo Cunha, presidente da Câmara de Deputados, e ao vice-presidente da República, Michel Temer. Os cartazes acentuavam o pedido de afastamento de ambos.

Portando bandeiras da Via Campesina, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de várias localidades do estado também marcavam presença. Diva Sandri, coordenadora da Frente da Massa, saiu de Encruzilhada do Sul, em direção à Capital, de ônibus com cerca de 70 pessoas, para defender a permanência de Dilma Rousseff no poder. Para Sandri, que mora em um assentamento, após o governo do Partido dos Trabalhadores (PT), a vida da população melhorou. “Eu me sinto privilegiada com ela. Se ela sair, quantas pessoas vão passar fome de novo?”, questionou.

Os representantes do MST que compareceram foram organizados pela direção nacional do movimento. As  centrais dos trabalhadores CUT e CTB também estavam presentes. Após a concentração no centro da Capital, os manifestantes foram em caminhada até o Lago Zumbi dos Palmares. A Brigada Militar contabilizou 18 mil pessoas na manifestação, enquanto os organizadores do evento calcularam cerca de 80 mil pessoas.

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