Número de mortes em acidentes ainda preocupa no Dia Nacional do Trânsito

Porto Alegre teve 50 mortes no trânsito neste ano até o final de agosto, conforme a EPTC. Uso do celular hoje é a principal causa da distração dos motoristas

  • Por: Luísa Dornelles (2º semestre) | Foto: Nicolas Chidem (6º semestre) | 25/09/2018 | 0

Há cerca de 20 anos, quando entrava em vigor o Código Brasileiro de Trânsito (CBT), Porto Alegre tinha 170 mortes anuais em acidentes, de acordo com Diego Marques, chefe da equipe de educação do trânsito da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). Neste ano, até o final de agosto, foram 50 mortes no trânsito. Marques relata que, na época de aprovação do código, as ocorrências eram frequentemente relacionados ao uso de álcool, combinadas à condução de veículo. Atualmente, o consumo de bebidas alcoólicas, o excesso de velocidade e a falta permissão para condução de veículo automotor são os três fatores que mais levam a mortes no trânsito na cidade, segundo ele.

Nesta terça-feira (25), são comemorados 21 anos da publicação do CBT. Desde então, a legislação passou por diversas mudanças, tendo impacto positivo na vida de motoristas e pedestres. Apesar disso, acidentes com vítimas fatais ainda preocupam. Conforme João Fortini Albano, doutor em transportes pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), uma das principais causas de mortes no trânsito que sempre esteve presente é o excesso de velocidade. Há 21 anos, essa era uma das principais causas apontadas.

Na época em que o código entrou o vigor, as distrações do motorista ligadas às ocorrências fatais eram ouvir rádio em um volume muito alto, mexer no espelho do veículo, conversar com outras pessoas e fumar, segundo Albano. Hoje, o  problema da dispersão aumenta quando essa desatenção é aliada ao uso de aparelhos celulares, que estão sempre junto ao motorista. Para o professor da UFRGS, o uso desses itens e, principalmente, o ato de digitar ao usar as redes sociais, se apresenta como a maior distração dos motoristas atualmente.

De acordo com Albano, o motorista tem se comportado melhor e obedecido mais a legislação nos últimos anos. Para o professor, isso se deve, primeiramente, ao receio do cidadão em ser multado que, ao final, acaba promovendo conscientização. Dessa forma, a evolução das leis, assim como o aumento no valor das multas tiveram impacto significativo sobre a situação do trânsito.

Excesso de velocidade e consumo de bebidas alcoólicas sempre estiveram ligados aos acidentes com vítimas fatais. O que ocorre atualmente e que se destaca por ser a maior das causas de mortes no trânsito é o uso de celulares, apontada por ambos os entrevistados como a maior distração, sendo que essa não acontece somente com motoristas, mas também com pedestres e ciclistas. Conforme o especialista da EPTC, a legislação nacional já reconhece o uso de mídias sociais como infração grave, enquanto o uso do celular ao ouvido é considerada média. Sendo assim, a atenção precisa ser redobrada quanto ao uso de aparelhos telefônicos, principalmente por parte dos motoristas, que, dessa maneira, podem representar risco concreto à vida de todos.