O filme de terror das locadoras

Com a redução nos empréstimos de vídeos, as locadoras enfrentam uma grave crise, algumas tendo inclusive já fechado as portas. Entre as que resistem, os proprietários reconhecem a diminuição no faturamento mensal que, no caso da Vivi Vídeo, localizada na Avenida Goethe, é quatro vezes menor. “Alguns anos atrás a loja faturava R$ 25 mil por mês, atualmente é aproximadamente R$ 5 a 6 mil”, afirma Leonardo Severo, funcionário do estabelecimento.

A perda de espaço das locadoras de vídeo se deve à concorrência de downloads de filmes na internet e de serviços de vídeos, como Netflix e filmes oferecidos por televisões por assinatura.

Severo acrescenta que, há 10 anos, eles chegavam a comprar de oito a nove cópias de DVDs que eram lançados, agora, com a redução dos empréstimos, só adquirimos um ou dois filmes. “Apesar de não estarmos muito fortes no mercado, a tendência é manter a loja o máximo que der”. Uma das razões para o estabelecimento continuar aberto, é a fidelização da locadora com o seu cliente, especialmente com pessoal da terceira idade. Apesar dos diversos fatores negativos deste mercado nos dias atuais, um dos trunfos da Vivi Vídeo é o seu grande acervo de filmes europeus, principalmente os franceses. “Atualmente, a Vivi é a única locadora de filmes de Porto Alegre que disponibiliza essa coletânea de filmes”, revela Severo.

Outro importante estabelecimento de locações de filmes é a Espaço Vídeo, que possui duas unidades, uma na rua Vasco da Gama e outra na 24 de outubro esquina com a Nova Iorque. Segundo a gerente Milena Santos, a Espaço Vídeo não perdeu seus clientes habituais. “Nós inicialmente sentimos um impacto negativo, porém não perdemos nossos consumidores tradicionais”. Entretanto, ela acredita que as locadoras de menor porte não suportarão a nova tendência do mercado de filmes pela internet. “Nós ainda sobrevivemos, porque não somos uma locadora pequena”. Ela também reconheceu que hoje é muito mais prático o cliente ficar em casa e alugar através dos novos meios audiovisuais.

Imagem da locadora Espaço Vídeo
Locadoras tentam encontrar diferenciais para manter o público.

Por outro lado, a Espaço Vídeo procura se aproximar mais da clientela. Para competir com a concorrência virtual, eles passaram a investir nas redes sociais, promovendo a divulgação de novos filmes e descontos nas diárias. Outra carta na manga é a grande coletânea de filmes, como explica Milena. “Nós temos um grande acervo, um dos grandes motivos que continuamos a nos manter nos dias de crise”.

Apesar da comodidade oferecida pelo sistema virtual, nem todas as pessoas preferem assistir a filmes por estes canais. Caio Martins revela nunca ter visto conteúdo “on demand” nem na internet e nem nas televisões pagas. “Como sou ator, gosto de adquirir meu próprio acervo, tanto que não irei nunca abdicar dessa prática, explicou”.

Assim, é possível constatar que embora o mercado de locação esteja em queda, ainda existem clientes fieis a essa modalidade audiovisual, ajudando as locadoras a se manterem abertas por mais tempo.

Texto: Augusto Lerner (3º semestre) e João Pedro Arroque (6º semestre)

Fotos: Guilherme Almeida (4º semestre)