O governo não deveria estar envolvido com saúde

Essa é a opinião do presidente da ONG Ayn Rand Institute, Yaron Brook, palestrante do Fórum da Liberdade, sobre o sistema de saúde no Brasil

  • Por: Yasmim Girardi (1º semestre) | Foto: Divulgação/Fernando Conrado | 12/04/2018 | 0

Na sua terceira participação como palestrante do Fórum da Liberdade, o presidente da ONG Ayn Rand Institute, Yaron Brook, começou sua fala no painel “Agentes da Mudança” relatando que se encontrava feliz pois da última vez que veio ao Brasil o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff estava acontecendo e, agora, no seu retorno, ocorria a prisão do ex-presidente Lula; uma prova que, segundo ele, cresce o combate a corrupção no país. Formado em Engenharia com Ph.D em Finanças, Yaron se tornou muito importante para o universo das ideias liberais. Além disso, o israelense é colunista da versão eletrônica da Forbes, possui um podcast online chamado “The Yaron Brook Show” e já escreveu vários livros que unem os interesses objetivistas aos liberais, o mais famoso deles foi o livro escrito em colaboração com Don Watkins, “Equal is Unfair”.  

Críticas ao Sistema Único de Saúde (SUS) foram um dos assuntos abordados na entrevista ao Editorial J, quando o escritor disse que o governo não deveria estar envolvido em saúde, deixando esse serviço a cargo da iniciativa privada. Segue a íntegra da entrevista: 

 

Editorial J – O senhor escreveu um artigo para o The Daily Caller em 2014 falando que o Obamacare estava criando uma nova classe de aproveitadores. O Brasil tem algo muito parecido chamado SUS e atualmente aproximadamente 2/3 da população brasileira depende desse sistema, o senhor acredita que essas pessoas também são aproveitadoras? 

Yaron Brook – É ruim porque é um produto de baixa qualidade e é uma violação dos direitos dos médicos e dos pacientes, o governo não deveria estar envolvido com saúde.  

 

J – Mas como faríamos para transformar tantas pessoas que dependem do SUS em pessoas independentes desse sistema? São quase 140 milhões de pessoas. 

Yaron – 140 milhões de pessoas são capazes de embolsar 100 reais por mês para financiar a sua saúde. E, caso não consigam, eles podem pedir ajuda. Uma outra solução possível é o governo dar para cada brasileiro um voucher (vale-saúde) e esses vales só podem ser usados para pagar por um convênio de saúde; você não pode comprar drogas ou comida com ele, apenas saúde. Assim, você tira todo o envolvimento do governo em saúde, dá às pessoas um vale e um mercado de convênios de saúde é criado. Agora é privado e você pode ter acesso à saúde.  

 

J – Mas quem vai pagar por isso? 

Yaron – Vamos supor que o valor de um convênio no Brasil é 200 reais. Com o vale de 200 reais, ou mais caso você queira pôr o próprio dinheiro nisso, você pode comprar seguro saúde de quem preferir. No mercado, tem todas essas companhias competindo para vender esse serviço, então eles vão reduzir o preço cada vez mais e de repente você pode ter acesso a um convênio de saúde por 150 reais ou menos. Isso faz com que o mercado seja competitivo e agora essas companhias têm um incentivo para controlar o valor que os médicos cobram. O sistema agora está funcionando nas bases de um mercado livre e longe de ser como é agora – um desastre. 

 

J – Quanto tempo demoraria para esse sistema entrar em funcionamento, tendo em vista que não aconteceria de um dia para o outro? Estamos falando de vidas humanas. 

Yaron – Pode ser feito devagar, em fases. Não se pode deixar alguém morrer. Enquanto não entra em funcionamento, o atendimento de emergência está aberto e todos serão atendidos de graça. Quando for privatizado, você ainda pode ter acesso ao atendimento de emergência caso o vale seja perdido ou algo te impossibilite de usá-lo. 

 

J – Nos Estados Unidos, tratamentos mais complexos –como o de câncer- não são tão acessíveis quanto tratamentos básicos. Como funcionaria para essa parcela mais pobre da população ter acesso a esse tipo de tratamento? 

Yaron – Eles terão convênios de saúde particulares e essas companhias são muito boas. O sistema de vales funcionaria perfeitamente bem nessa situação. 

 

J – Qual o tamanho ideal para o Estado brasileiro ser mais livre como Hong Kong ou Estados Unidos? 

Yaron – O tamanho do Estado brasileiro deveria ser que nem o de Hong Kong: minúsculo. Atualmente, quanto do PIB o Brasil gasta? Pelo menos 20%, certo? Nos anos 90, os EUA gastavam 10% e esse é um bom número. O Brasil deveria gastar a metade do quanto gasta hoje em dia. Agora, se eu quiser ser radical, posso dizer que o Brasil pode cortar esse gasto em 80% do que é atualmente. Mas cortar a metade já é um bom começo; isso pode ser feito em dois anos e assim seríamos muito mais ricos! 

 

J – Nos Estados Unidos, votar não é uma obrigação como no Brasil. Caso o sistema de voto do Brasil fosse igual ao americano, quem se beneficiaria com isso? 

Yaron – Seria melhor para todo mundo.  

 

J – Mas politicamente, para quem seria melhor? Qual lado ou partido? 

Yaron – Eu não sei, não conheço os partidos e não me envolvo com política. Mas em geral, acredito que pedimos para as pessoas votarem por muitas coisas. Eles não sabem o que estão fazendo, a maioria das pessoas não sabem para o que estão votando ou contra o que estão votando. Então, ao forçar essas pessoas a votar, estamos forçando pessoas ignorantes, sem incentivo e que não sabem o que querem a votar. Eu só quero pessoas motivadas votando; pessoas que sabem do que estamos falando, estudaram o assunto e têm uma opinião – não importa se eles concordam ou discordam de mim. Eu não quero menos pessoas votando e também não quero ninguém sendo forçado a fazer o que não quer.