“O mais importante é uma boa história”, diz pesquisadora Maria Merisalo

Os resultados de uma pesquisa realizada Ibope em março deste ano mostraram que a internet é o meio de comunicação que mais cresce no país. Segundo o levantamento, os brasileiros já passam mais tempo conectados do que em frente à televisão, numa média de 3 horas e 39 minutos diários de web. Os jornais impressos, no entanto, seguem em declínio: apenas 6% dos entrevistados declararam leitura diária.

Enquanto grandes empresas de comunicação batem cabeça em busca de uma fórmula salvadora para o papel, os meios digitais apostam na base do jornalismo: o conteúdo. “O mais importante é atrair o leitor com uma boa história. Normalmente, ele não lembra onde viu, ouviu ou leu determinado conteúdo, mas lembra que é de qualidade”, destaca a pesquisadora independente em jornalismo literário Maria Lassila-Merisalo. Em visita a Porto Alegre para ciclo de palestras na Feevale e na Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS, a finlandesa concedeu entrevista exclusiva ao Editorial J.

De acordo com ela, publicações como o The Atavist, revista digital especializada em jornalismo literário e objeto de estudo em sua pesquisa, tem apostado em grandes narrativas multimídia que dão autenticidade à história e proporcionam ao leitor uma sensação de imersão. “Além do texto, a publicação conta com recursos de imagem e som. E é opcional para o usuário, ele pode fazer a leitura com ou sem esta experiência”, pontua. E ainda enfatiza: “Também é preciso acompanhar o leitor, criando possibilidades de acessibilidade e compartilhamento deste conteúdo”.

Entretanto, o alto custo para financiar projetos literários na web ainda é um empecilho para que novas iniciativas como o The Atavist possam surgir. “Estas empreitadas demandam muito tempo de pesquisa e entrevista, o que torna o investimento maior”, argumenta Maria. A pesquisadora, porém, acredita que a venda individual de reportagens deste tipo é uma forma mais sustentável de começar o empreendimento. “É muito difícil prever se uma revista digital com reportagens de fôlego terá capacidade de venda. Mas é possível vender uma matéria de cada vez, como um teste”, sugere.

Texto: Pedro Henrique Tavares (8º Semestre)